LOS ANGELES ¿ A 67ª edição do Globo de Ouro, realizada ao longo de um jantar de gala no Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, na noite deste domingo (17), consagrou Avatar. O épico em 3D que vem fazendo história nas bilheterias recebeu dois dos principais prêmios da noite, o de melhor filme - drama e melhor direção, para James Cameron. Ao receber de Julia Roberts a última estatueta da noite, o cineasta deu um recado aos críticos de seu longa-metragem. Este é o melhor emprego do mundo. Fazemos entretenimento para o público, e é disso que o Globo de Ouro precisa.

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James Cameron (segundo à esquerda) e equipe de "Avatar" com prêmio de melhor filme

Considerada a segunda maior premiação da temporada, o Globo de Ouro também premiou há 12 anos "Titanic", o trabalho anterior de Cameron, nas mesmas categorias, e o filme repetiu o feito no Oscar. A dobradinha pode acontecer de novo em 2010. Ao agradecer o troféu de melhor diretor, Cameron começou seu discurso lembrando a ex-mulher e concorrente Kathryn Bigelow, de "Guerra ao Terror" ¿ "ela merecia muito esse prêmio" ¿, mas reconheceu o mérito de "Avatar" e de todos os artistas envolvidos no filme, "que trabalharam quatro anos e meio nos animais, na grama, em tudo para dar vida a Pandora", o planeta em que a trama se passa.

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Sandra Bullock segura Globo de Ouro
de melhor atriz dramática

Os convidados da festa, promovida pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, tiveram que atravessar o tapete vermelho debaixo de guarda-chuvas, já que uma tempestade fora de época atingiu a região no fim da tarde. O assunto dominou as entrevistas antes da premiação. Nada fácil para estrelas como Kate Hudson e Penélope Cruz, vestidas, como de praxe, com volumosas roupas de gala.

Boa parte dos atores e diretores usaram fitas coloridas no peito em apoio às vítimas do terremoto no Haiti. Na próxima sexta-feira, George Clooney vai comandar um programa na televisão norte-americana para arrecadar recursos ao país caribenho.

Pela primeira vez em 15 anos, a cerimônia contou com um apresentador, e não apenas com astros para anunciar os prêmios. A tarefa ficou a cargo do comediante britânico Ricky Gervais, conhecido pela série "Extras" e pela versão original de "The Office", no Reino Unido. Discreto, com poucas intervenções, Gervais chamou mais a atenção pelo merchandising de seus trabalhos, que provocaram pouco mais que sorrisos amarelos.

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Penélope Cruz se abriga da chuva no tapete vermelho em Los Angeles

Pistas para o Oscar

O sucesso "Se Beber, Não Case" surpreendeu e levou para casa o prêmio de melhor filme de comédia ou musical, batendo favoritos como "Nine" e "Julie & Julia". Meryl Streep, aliás, foi escolhida melhor atriz pelo último, no qual interpreta a apresentadora de programas de culinária Julia Child. Bastante nervosa, Streep disse que sua carreira sempre serviu como "veículo para contar histórias de outras pessoas" e dedicou o prêmio a sua mãe, a artista Mary W. Streep.

Como esperado, Sandra Bullock recebeu o prêmio de melhor atriz dramática por "The Blind Side", uma das maiores bilheterias de sua carreira nos Estados Unidos. "Posso não ser a mais talentosa, mas ganhei a oportunidade de fazer esse filme", afirmou a atriz, que fez questão de lembrar as colegas da categoria. Bullock também havia sido indicada por seu trabalho em "A Proposta".

E se no ano passado a Associação da Imprensa Estrangeira reconheceu a volta por cima de Mickey Rourke, agora foi a vez de Robert Downey Jr., melhor ator em comédia ou musical por "Sherlock Holmes". Sem seguir o protocolo, o astro fez graça e disse que não agradeceria ao estúdio responsável pelo filme. "Se eles não tivessem a mim, não teríamos nada e estariam apanhando de 'Avatar'", brincou.

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Robert Downey Jr: melhor ator de
comédia por "Sherlock Holmes

Aplaudido de pé, Jeff Bridges ¿ uma das apostas dadas como certas para o Oscar ¿ venceu como melhor ator dramático por "Crazy Heart", no qual interpreta um cantor country em plena decadência que vê a chance de reerguer a carreira. Jeff lembrou o pai, o também ator Lloyd Bridges. "Ele incentivou todos os filhos a irem para o showbizz. Ainda bem que ouvi a ele", afirmou.

A festa começou concedendo o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Mo'nique, pelo drama independente "Preciosa". Muito emocionada, Mo'nique dedicou a estatueta, entregue por Nicole Kidman, a seu marido e à equipe do filme, em especial ao diretor Lee Daniels e à atriz Gabire Sadibe, que protagoniza o longa-metragem.

O alemão Christoph Waltz confirmou seu favoritismo e ganhou como ator coadjuvante por "Bastardos Inglórios", em que interpreta um oficial nazista. Em seu discurso de agradecimento, no qual abusou de metáforas astronômicas, o papel principal coube ao diretor Quentin Tarantino. "Não me atreveria a pensar que meu pequeno mundo faria parte dessa constelação", citando o cineasta, Brad Pitt, Diane Kruger e outros colegas de elenco.

A comédia "Amor Sem Escalas", que era a campeã de indicações, venceu apenas o prêmio de melhor roteiro, escrito por Sheldon Turner e pelo diretor Jason Reitman ("Juno", "Obrigado por Fumar"). Surpreso por Quentin Tarantino não ter sido o ganhador, Reitman lembrou no palco o ator George Clooney, "um dos homens mais incríveis que já conheci", e seu pai, o também cineasta Ivan Reitman.

Scorsese: "mestre do cinema"

"Up - Altas Aventuras", recebeu o Globo de Ouro de melhor animação, conquista que deve repetir no Oscar. Os indicados à categoria foram apresentados por Paul McCartney, que lembrou que esses filmes não foram feitos apenas para crianças, mas também por "adultos que tomam drogas". A brincadeira é uma referência a "Yellow Submarine", animação psicodélica dos Beatles que será refilmada com tecnologia 3D.

McCartney, por sinal, foi derrotado, ao lado de Bono, do U2, na categoria de melhor canção para "The Weary Kind", música do filme "Crazy Heart". Já no Globo de Ouro de melhor trilha sonora, deu "Up" mais uma vez, em prêmio entregue ao compositor Michael Giacchino.

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Mo'nique segura o Globo de Ouro
de melhor atriz coadjuvante

Premiado com a Palma de Ouro em Cannes, "A Fita Branca", do diretor alemão Michael Haneke, derrotou Pedro Almodóvar e Giuseppe Tornatore e ficou com o prêmio de melhor filme estrangeiro. A estatueta foi entregue pela estrela italiana Sophia Loren, aplaudida de pé pela plateia.

O grande homenageado da noite foi o diretor Martin Scorsese, que recebeu o prêmio Cecil B. DeMille. Assim como acontece em todos os anos, Scorsese viu um clipe com cenas de sua extensa filmografia, que inclui filmes como "Cabo do Medo", "Taxi Driver", "O Aviador", "Touro Indomável", "A Última Tentação de Cristo" e "Os Infiltrados", pelo qual finalmente ganhou o Oscar.

Robert De Niro fez graça com sua duradoura parceria com o cineasta. "Passamos 20 anos fazendo filmes juntos e nos últimos 10, só entregamos prêmios um ao outro. Parecemos um velho casal, só não dormimos mais juntos." Superlativo, Leonardo Di Caprio disse que daqui a mil anos, Scorsese será lembrado como sinônimo de "arte no cinema".

Pequenino, o diretor foi ovacionado pelo público e disse ser uma "honra extraordinária" receber a honraria. Com humildade, dividiu o prêmio com todas as pessoas com quem já trabalhou. "Ao ver os créditos finais, todos sabem a quantidade de pessoas que fazem um filme. É um processo colaborativo, e por isso gostaria de agradecer a todos." O clipe da homenagem também aproveitou para fazer uma clara propaganda do próximo longa de Scorsese, "Ilha do Medo".

Televisão não teve surpresas

Confirmando sua preferência entre os críticos, "Mad Men" venceu pelo terceiro ano consecutivo como melhor série dramática. Já a consagrada pelo público "Dexter" teve que se contentar com os prêmios de interpretação. Michael C. Hall, indicado outras três vezes ao prêmio, foi finalmente eleito melhor ator. Usando um gorro para disfarçar a falta de cabelos ¿ atualmente Hall está tratando um câncer ¿, dedicou a estatueta ao resto da equipe, inclusive a John Lithgow, que pouco antes havia vencido como melhor ator coadjuvante. Julianna Margulies foi escolhida melhor atriz em série dramática por "The Good Wife".

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Drew Barrymore ganhou prêmio pelo
trabalho no telefime "Grey Gardens"

A amalucada "Glee", mistura de musical e intrigas em um colégio norte-americano, venceu como melhor série de comédia. Toni Collette foi eleita melhor atriz por seu trabalho em "United States of Tara", no qual interpreta uma mulher com múltiplas personalidades. Já Alec Baldwin, que não estava presente na cerimônia, foi o vencedor por "30 Rock" ¿ é a terceira vez que Baldwin recebe o Globo de Ouro pela série, depois de 2007 e 2009.

O telefilme "Grey Gardens" foi escolhido melhor minissérie ou filme feito para a TV. Estrelado por Drew Barrymore e Jessica Lange, a produção já havia ganho o Emmy na mesma categoria. O roteiro, baseado em um famoso documentário de mesmo nome, retrata a vida das excêntricas tia e prima de Jacqueline Onassis. Barrymore venceu o prêmio de melhor atriz por seu papel e disse considerar Hollywood "sua família", já que está no mundo do entretenimento desde os 7 anos de idade.

Kevin Bacon recebeu o Globo de Ouro de melhor ator em um telefime por "Taking Chance", drama que retrata a volta de um soldado norte-americano do Iraque. Ainda nos prêmios de televisão, Chloë Sevigny foi eleita melhor atriz coadjuvante pela série "Big Love".

O Globo de Ouro é a principal prévia do Oscar, que será realizado no Kodak Theatre no dia 07 de março. A lista de indicados será conhecida pouco mais de um mês antes, no dia 02 de fevereiro.

Veja a lista completa de premiados no Globo de Ouro 2010:

Melhor filme - drama: "Avatar"
Melhor filme - comédia ou musical: "Se Beber, Não Case"
Melhor diretor: James Cameron, por "Avatar"
Melhor ator - drama: Jeff Bridges, por "Crazy Heart"
Melhor atriz - drama: Sandra Bullock, por "The Blind Side"
Melhor ator - comédia ou musical: Robert Downey Jr., por "Sherlock Holmes"
Melhor atriz - comédia ou musical: Meryl Streep, por "Julie & Julia"
Melhor roteiro: "Amor Sem Escalas"
Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz, por "Bastardos Inglórios"
Melhor atriz coadjuvante:
 Mo'nique, por "Preciosa"
Melhor animação: "Up - Altas Aventuras"
Melhor filme estrangeiro: "A Fita Branca", de Michael Haneke
Melhor trilha sonora: "Up - Altas Aventuras"
Melhor canção: "Crazy Heart"
Melhor série - drama: "Mad Men"
Melhor atriz em série - drama: Julianna Margulies, "The Good Wife"
Melhor ator em série - drama: Michael C. Hall, "Dexter"
Melhor série - comédia: "Glee"
Melhor ator em série - comédia ou musical: Alec Baldwin, por "30 Rock"
Melhor atriz em série - comédia ou musical: Toni Collette, por "The United States of Tara"
Melhor minissérie ou filme feito para a TV: "Grey Gardens"
Melhor ator em minissérie ou filme feito para a TV: Kevin Bacon, por "Taking Chance"
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para a TV: Drew Barrymore, por "Grey Gardens"
Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV: John Lithgow, por "Dexter"
Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV: Chloë Sevigny, por "Big Love"

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