O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado, que foi malinterpretado ao criticar a judicialização da política. Eu fui mal interpretado. Eu fiz uma crítica aos partidos políticos que não estabelecem uma legislação eleitoral definitiva para não permitir que a gente fique condenado à interpretação dos juízes de uma lei equivocada.

"Jamais pensei em fazer crítica ao poder Judiciário. É verdade que eu dei motivos para quem tenha má-fé interprete que eu tenha feito crítica ao poder Judiciário", completou. 

Na quinta-feira, Lula afirmou: "não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer". Recentemente, o presidente foi multado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em R$ 5 mil e R$ 10 mil. A maioria dos ministros do TSE concluiu que ele fez propaganda eleitoral antes do permitido durante eventos em Manguinhos, no Rio de Janeiro, e em São Paulo.

A declaração de Lula gerou reação por parte de representantes do Poder Judiciário. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse que "todos nós estamos subordinado à Constituição e à lei. Nós não temos soberanos (...) Se há eventual equívoco numa decisão judicial, dela se deve recorrer", acrescentou.

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, também criticou Lula, na mesma linha de Gilmar Mendes. "O que o presidente da República precisa saber é que todos os cidadãos, independentemente do cargo que exercem, estão subordinados à legislação brasileira. E ele, mesmo como presidente, não tem o direito de infringir a lei eleitoral e fazer campanha antecipada para favorecer a sua candidata. Não prestamos contas a um juiz, mas à legislação."

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, disse que a declaração de Lula foi incompatível com a responsabilidade do cargo. "A desobediência à Justiça deve ser condenada porque a sociedade só é forte quando o Judiciário é forte. Devemos repudiar qualquer tipo de posicionamento que vise a amesquinhar o Judiciário e diminuir o seu alcance".

(*com Ricardo Galhardo, iG São Paulo, e informações da Agência Estado)

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