Michael Jackson estava obstinado com sua volta aos palcos e tomava medicamentos, sob prescrição médica, para entrar em forma visando realizar uma série de concertos no próximo mês, em Londres, informaram nesta quinta-feira pessoas ligadas ao astro pop.

Jackson, que teve vários episódios com drogas de prescrição médica ao longo de sua carreira, tomava remédios devido as lesões que sofria durante os ensaios para seu grande regresso artístico, disse o advogado e porta-voz da família Brian Oxman.

Segundo Oxman, o uso destes medicamentos preocupava a família, já que vários membros do staff de Jackson tinham autorização para obter estas drogas.

O advogado comparou a situação ao caso da ex-modelo da Playboy Anna-Nicole Smith, que morreu de overdose de medicamentos.

"Isto não foi algo inesperado (...) diante dos medicamentos que ele tomava", disse Oxman no hospital, ao lado de familiares de Jackson. "O pessoal em torno dele facilitava isto".

"Não sei exatamente os remédios que ele tomava, mas as informações de que dispomos indicam uma ampla gama" de medicamentos, destacou Oxman.

Segundo o produtor Jay Coleman, que representou Jackson nos anos 80, o regresso do astro aos palcos, após anos de ausência, foi algo "muito estressante" para um perfeccionista como Michael.

"A preparação para uma sequência de shows desta envergadura foi algo muito estressante", disse Coleman, que colocou Jackson nos spots publicitários da Pepsi.

Jackson planejava voltar aos palcos em julho, com uma série de shows em Londres, após uma reclusão voluntária desde 2005, quando foi absolvido da acusação de abuso sexual de um menor.

Segundo Coleman, "a expectativa dos fãs era a de ver um Michael Jackson tão grande como no passado". E "ele era um perfeccionista, que se envolvia profundamente na preparação de cada show, cada detalhe era muito importante".

Jackson "era uma personalidade muito excêntrica", lembra Coleman, que destaca o profissionalismo extremo do astro pop.

Michael Levine, porta-voz de Jackson, também disse à AFP que "não ficou surpreso" com a morte do cantor.

"Juro que não fiquei surpreso com a trágica notícia de hoje. Michael seguia um caminho incrivelmente difícil e, com frequência, autodestrutivo, e isto ocorria há vários anos".

"Seu talento era indiscutível, mas também era indiscutível seu inconformismo com as regras deste mundo. Um ser humano não consegue suportar tal nível de estresse", disse Levine.

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