Jacarepaguá é o bairro mais atingido por milícias, diz delegado

RIO DE JANEIRO - O delegado da 32ª DP (Jacarepaguá), Pedro Paulo Pontes Pinho, confirmou nesta quinta-feira a existência de diversos grupos milicianos em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio. Segundo ele, as milícias estão divididas em três níveis e organizadas entre si. O anúncio foi feito durante a reunião da CPI das milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), realizada com as portas fechadas.

Redação |

Para o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSol), esse foi um dos mais importantes depoimentos já realizados desde o início dos trabalhos, no final de junho.

O delegado nos trouxe uma enorme contribuição. Ele entregou farto documento de investigação da delegacia, inclusive com a identificação de pessoas envolvidas e demonstrou que a área de Jacarepaguá é a que concentra uma maior atuação desses grupos, sublinhou.

De acordo com Freixo, o delegado afirmou que, diferentemente do bairro de Campo Grande, onde há um monopólio, Jacarepaguá é palco de atuação de grupos díspares que não disputam a hegemonia de setores entre si e podem ser classificados quanto à forma de organização.

As informações de Pinho dão conta de que alguns grupos agem com colaboração das associações de moradores, outros são dominados pelas próprias associações e, em um terceiro nível, há os que passam a dominar serviços e atividades econômicas, como a distribuição de gás e a oferta de sinal de TV por assinatura.

Segundo o delegado, é inevitável a passagem de um nível para outro. Em algum momento, os grupos chegam a uma forma mais sofisticada, com braços econômicos e políticos, ressaltou o presidente da CPI.

O parlamentar disse que os nomes dos vereadores Luiz André Deco (PR), o Deco, e Josinaldo Francisco da Cruz (DEM), o Nadinho de Rio das Pedras, foram citados como possíveis membros de milícias. Também foram levantados os nomes de alguns candidatos a vereadores e o de um suplente de deputado federal, que dominaria, de acordo com o titular da 32ª DP, a Comunidade do Marcão.

A CPI das milícias pretende ouvir na próxima quinta-feira o secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e um representante do Ministério Público que atua no bairro de Santa Cruz, também na zona Oeste do Rio.

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