BRASÍLIA (Reuters) - O chefe do Departamento de América Central e Caribe do Itamaraty, Gonçalo Mello Mourão, rebateu nesta terça-feira críticas de senadores de que o governo brasileiro tenha chancelado um palanque eleitoral para o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao conceder a ele refúgio político. Senadores da oposição ponderaram que a embaixada brasileira em Honduras se tornou um escritório político do hondurenho.

"Ele (Zelaya) chegou com o desejo de estabelecer um diálogo construtivo, pacífico, democrático para o restabelecimento da ordem constitucional em Honduras", afirmou Mourão a jornalistas após reunião extraordinária da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Zelaya foi deposto e expulso do país em 28 de junho e desde segunda-feira está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"Zelaya está fazendo um comício dentro da embaixada brasileira", afirmou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), estranhou o fato. Segundo o senador, ao dar asilo a Zelaya em território hondurenho, "o Brasil comprou uma briga que não era dele".

"É como se o Brasil tivesse virado um comitê do presidente Zelaya", acrescentou o tucano.

Já para o presidente da comissão, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), "o Brasil acertou. (Nisso) o governo e a oposição estão numa posição única".

(Reportagem de Ana Paula Paiva)

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