Itamaraty: política externa é a de buscar diálogo

O Itamaraty informou que a política externa adotada pelo governo brasileiro é a de sempre buscar o diálogo e garantir o respeito aos direitos humanos. Ao mesmo tempo, afirmou que o Brasil exige que violações de qualquer tipo sejam investigadas e os culpados, punidos.

Agência Estado |

Desse modo, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil prefere não parar simplesmente na edição de uma nota de condenação a atitudes de desrespeito aos direitos humanos e às questões humanitárias que por ventura venham a ser tomadas por governantes mundo afora. Propõe formas preventivas de atuação, informa o ministério.

O Itamaraty citou alguns exemplos bem-sucedidos de diálogo pelo mundo, como no caso do Zimbábue, onde o Brasil não se limitou a condenar as violações aos direitos humanos, mas atuou firme na abertura de negociações, que continuam em curso. Em relação à situação na Coreia do Norte, o Brasil condenou os testes nucleares, informou o Itamaraty, bem como as ameaças feitas à vizinha Coreia do Sul.

Sobre o Irã, afirmou o Itamaraty, no dia 21 de abril, véspera de uma viagem que o presidente Mahmoud Ahmadinejad faria ao Brasil, o governo manifestou preocupação com o discurso do líder iraniano a respeito do Holocausto, por tentar diminuir a importância de acontecimentos trágicos e historicamente comprovados. “O governo brasileiro considera que manifestações dessa natureza prejudicam o clima de diálogo e entendimento necessário ao tratamento internacional da questão da discriminação”, afirmou o Itamaraty, em nota. E anunciou que aproveitaria a visita do presidente iraniano ao Brasil, prevista para 6 de maio, para reiterar a Ahmadinejad suas opiniões.

Sri Lanka

Uma decisão polêmica foi o voto brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU) em relação ao Sri Lanka. Depois de 30 anos de conflitos, o Sri Lanka anunciou o fim da guerra e a aniquilação do grupo Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), mas a ONU alertou que os crimes cometidos pelo governo e pela guerrilha precisavam ser investigados. O tema foi levado às Nações Unidas pelos europeus e apoiado de forma velada pela cúpula da entidade, mas o Brasil votou a favor de uma resolução que poupou críticas ao governo do Sri Lanka e evitou a investigação sobre crimes de guerra. “Foi uma fracasso”, diz a ex-diretora de comunicações da ONU, Marie Hueze.

O Brasil alegou que a comunidade internacional precisava dar “uma chance” ao Sri Lanka. O embaixador do país asiático, Dayan Jayatilleka, afirmou que o Brasil estava se mostrando um “país com uma atitude responsável”. A resolução pedindo a investigação internacional não foi aprovada e, segundo a ONU, a população civil continua sofrendo. “Nada mudou no Sri Lanka”, diz o encarregado máximo dos trabalhos humanitários da ONU, John Holmes.

A posição brasileira foi duramente atacada pelas entidades que representam as vítimas no Sri Lanka. Entidades como a Anistia Internacional e o Human Rights Watch também apresentaram suas queixas. De acordo com o ministério, o governo brasileiro defende o diálogo, por concluir que é a única forma de resolver questões humanitárias e de respeito aos direitos humanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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