Itamar acusa Lula de interferir em CPI da Petrobras

O ex-presidente Itamar Franco (sem partido) acusou nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de interferir para impedir a instalação e início dos trabalhos da CPI da Petrobras no Senado. Será que nós temos dúvidas nesse País que quando o presidente Lula quer, ele impede no Congresso?, questionou Itamar.

Agência Estado |

"Quando o governo quer, ele impede. Veja o exemplo da CPI da Petrobras. Ela não anda por quê? Porque o governo não tem permitido. Não é o parlamentar. O parlamentar obedece".

Itamar disse que Lula deveria agir como o general e ex-presidente Ernesto Geisel, que mesmo durante o regime militar, embora contrário, não impediu a instalação de uma CPI para investigar o acordo nuclear entre Brasil e Alemanha. "Éramos três senadores de oposição na comissão e oito senadores do governo. O presidente Geisel não impediu que eu, por exemplo, senador da oposição, fosse escolhido presidente (da CPI)", afirmou Itamar. "Por que ele também não imita o presidente Geisel?"

O ex-presidente fez comentários sobre o impasse em torno da CPI da Petrobras ao criticar mais uma vez a proposta que permite mais um mandato para Lula. Segundo Itamar, se o presidente realmente é contra a proposta - como tem reiterado -, teria como impedir que parlamentares aliados tomassem a iniciativa ou aderissem à proposta de emenda constitucional. Uma PEC que permite duas reeleições continuadas para presidente da República, governadores e prefeitos já foi protocolada pelo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE).

Preparando sua volta à política partidária, Itamar é visto no ninho tucano como uma opção para compor eventual chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, José Serra, caso ele seja mesmo indicado como presidenciável do PSDB em 2010. Mas mantém a lealdade a Aécio. Durante seu discurso, defendeu a gestão do mineiro e disse que espera que ele consiga viabilizar sua candidatura e alcançar a Presidência.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período

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