Itália pode chamar embaixador no Brasil por refúgio a Battisti

ROMA/RIO DE JANEIRO - O governo italiano pode chamar de volta seu embaixador em Brasília para consultas, em protesto contra a decisão do Brasil de conceder refúgio político a Cesare Battisti, um ex-ativista de esquerda condenado por quatro homicídios na Itália, informou o Ministério das Relações Exteriores de Roma nesta quarta-feira.

Reuters |


Autoridades italianas condenaram veementemente a decisão brasileira de conceder refúgio a Battisti, que fugiu de uma prisão italiana no início dos anos 1980 enquanto aguardava julgamento.

Battisti foi preso no Rio de Janeiro em 2007 e desde então está detido. A libertação do italiano está a cargo do Supremo Tribunal Federal (STF), que examina pedido da defesa de Battisti.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo italiano tinha que aceitar a decisão mesmo que não gostasse, mas diversos políticos italianos de direita defendem que o embaixador italiano no Brasil seja chamado de volta em protesto.

O chanceler Franco Frattini estava decidindo se tomaria ou não essa decisão, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

Extradição

Outro ministro do governo do premiê Silvio Berlusconi disse a parlamentares nesta quarta-feira que a Itália deveria fazer tudo o que fosse possível para conseguir a extradição de Battisti.

O ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, concedeu o refúgio baseado no "fundado temor de perseguição por opinião política". Segundo Genro, o governo da Itália solicitou uma audiência com ministros do STF para discutir o caso.

"É normal, perfeitamente normal. Eles têm o interesse na extradição e têm direito de procurar o presidente do STF, assim como me procuram diversas vezes. Não vejo problema", afirmou Genro nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro.

Battisti, que nega os homicídios, pertencia na década de 1970 ao grupo Proletariado Armado pelo Comunismo. Naquele período, conhecido na Itália como "anos de chumbo", grupos de esquerda e de ultradireita cometiam frequentes atentados com bombas e tiros.

O militante foi condenado à revelia à prisão perpétua por dois dos homicídios. Depois de fugir da prisão, em 1981, ele se radicou no México até 1991, de onde se transferiu para a França, onde arrumou trabalho como porteiro e passou a escrever livros de suspense.

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