Itália deve recorrer a cortes internacionais caso STF negue extradição de Battisti

BRASÍLIA - Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida pela manutenção do asilo político ao ex-ativista Cesare Battisti ¿ concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, no mês de janeiro -, o governo italiano deve recorrer da decisão a tribunais internacionais. Porém, representantes italianos em visita ao Brasil estão confiantes que a corte brasileira decidirá em favor da extradição de Battisti.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Se a decisão for contrária, vamos como instituições italianas procurar

AP

Battisti preso no Brasil em 2007

instâncias mais altas para continuar recorrendo da decisão que consideramos injustas, disse o deputado italiano Fabio Porta, após reunião da delegação italiana enviada ao Brasil para discutir o caso com as autoridades brasileiras.

Na manhã desta terça-feira, deputados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e líderes do DEM conversaram com os parlamentares italianos sobre o caso Battisti. À tarde, os mesmos irão se encontrar com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP) e com membros do Ministério da Justiça ¿ órgão responsável pela concessão do asilo a Battisti. 

Além de Fabio Porta, estão no Brasil o vice-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Maurício Lupi e o embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise.

Esta visita foi fortemente querida pelo presidente da Câmara [italiana] para dizer que o parlamento italiano é a favor da extradição, mas confiamos na autonomia da Justiça, no Supremo Tribunal Federal, que avalia a constitucionalidade da decisão. Respeitamos a decisão do Executivo, mesmo não concordando, e esperamos que o STF possa conceder a extradição ao Cesare, afirmou Porta.

O deputado italiano disse ainda não acreditar em retaliações por parte da Itália no caso de Battisti ser mantido no Brasil pela Justiça. Essa relação é estável, não pode ser abalada por nenhum tipo de problema, disse o italiano.

O caso

Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por crimes cometidos entre 1977 e 1979, quando era membro do grupo armado Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ele é acusado de matar um guarda penitenciário e um açougueiro e também de participar no planejamento de outros dois assassinatos durante os chamados "Anos de Chumbo", quando militantes de esquerda se armaram para combater o Estado italiano.

Um dos casos mais graves foi o assassinato de Aldo Moro, líder da Democracia Cristã na Itália, que conduzia um acordo para selar uma coalizão com o Partido Comunista Italiano. Moro foi morto pelas Brigadas Vermelhas. Ao assassinato se sucederam uma série de ações repressivas contra esses militantes. 

Battisti viveu na França até 2004, quando, sob ameaça de extradição, fugiu para o Brasil. Ele foi preso em 2007, em um apartamento no Rio de Janeiro, em uma operação com a participação da Interpol e das polícias da Itália, do Brasil e da França.

O refúgio político foi concedido a Battisti no dia 13 de janeiro. Em sua argumentação, o ministro alegou que o italiano "possui um fundado temor de perseguição por suas opiniões políticas" em sua terra natal.

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