Israel lembra o Holocausto com críticas a Irã e Suíça

Ana Cárdenes. Jerusalém, 20 abr (EFE).- Israel lembra hoje o Holocausto em meio a indignações pela presença do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o massacre, na conferência da ONU sobre racismo, em Genebra.

EFE |

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lamentou hoje que "nem todo o mundo tenha aprendido a lição" com o genocídio judeu.

Além disso, criticou o fato de o encontro de Genebra "ter como convidado de honra um racista negacionista do Holocausto, que não esconde as intenções de apagar Israel da face da Terra", no mesmo dia em que os israelenses homenageiam a memória das vítimas.

A indignação do Estado judeu com a acolhida de Ahmadinejad na Suíça chegou ao ponto de o país chamar para consultas o embaixador israelense em Berna em protesto contra o encontro do presidente iraniano com o líder suíço, Hans-Rudolf Merz.

Em comunicado, o Ministério de Exteriores israelense condenou hoje o encontro entre os dois chefes de Estado, que "não está de acordo com os valores que a Suíça representa".

A Chancelaria criticou também a reunião entre Ahmadinejad e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a qual qualificou de "infeliz" e "particularmente grave" por acontecer na véspera do dia em que Israel lembra o Holocausto.

"Tem que haver um limite à neutralidade da Suíça", afirmou, por sua parte, o presidente israelense, Shimon Peres.

A conferência da ONU sobre o racismo, uma reedição da realizada em 2001 em Durban, na África do Sul, e a qual Israel e Estados Unidos abandonaram pelo fato de sionismo ter sido vinculado a racismo, foi boicotada pelos dois países e por outros, como Itália, Holanda, Polônia e Alemanha.

Hoje, Peres abriu no Yad Vashem, o Museu do Holocausto, em Jerusalém, os atos comemorativos do Iom HaShoá (Dia da Lembrança dos Mártires e Heróis do Holocausto), dedicado este ano às crianças que foram assassinadas pelos nazistas e por seus aliados.

Dos seis milhões de judeus assassinados, 1,5 milhão eram menores, e apenas milhares deles sobreviveram à chamada "Solução Final".

Em um discurso solene pronunciado na Praça do Gueto de Varsóvia, o presidente israelense disse que a conferência de Genebra era uma "aceitação do racismo, mais que uma luta contra este".

Peres comparou "Ahmadinejad, o persa" com outros "déspotas", como "Hitler, o nazista, e Stalin, o bolchevique", que "escolheram os judeus como principal alvo de seu ódio, loucura e violência".

"O nazismo foi vencido, mas o antissemitismo continua vivo", advertiu Peres, que reforçou que "um povo que perdeu um terço da população (...) não esquece e não deve ser pego com a guarda baixa".

Como todos os anos, seis sobreviventes acendem, na cerimônia, o mesmo número de tochas, uma para cada milhão de judeus exterminado, e os dois rabinos-chefes de Israel oficiam um serviço no qual se entoam e cantam as orações fúnebres judaicas para os mortos, Kadish e Maale Rahamim.

A maioria de cinemas, teatros e shoppings fecharam as portas por causa da comemoração, pois, na tradição judaica, o dia começa após o pôr-do-sol.

Nesta terça-feira, às 10h (4h de Brasília), as sirenes soarão durante dois minutos nos quais o país praticamente parará.

Quando os alarmes começarem a tocar, os motoristas sairão dos veículos para lembrar, em pé, as vítimas dos nazistas.

Durante o dia todo haverá vários atos ao longo do país, serão recitados os nomes de alguns dos falecidos, as televisões emitirão reportagens e filmes sobre o genocídio e serão celebrados serviços especiais nas sinagogas.

O início do Iom Hashoa coincide, este ano, paradoxalmente, com o 120º aniversário do nascimento de Adolf Hitler, que dirigiu a tentativa de exterminar a raça judaica, uma data lembrada pelos grupos neonazistas. EFE aca/db

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