Isolada na CPI da Petrobras, oposição ganha espaço na das ONGs

BRASÍLIA (Reuters) - Excluída pelo governo do comando da CPI da Petrobras, a oposição no Senado conseguiu se fortalecer na CPI das ONGs a fim de obter mais poderes para investigar o Executivo. A base aliada indicou o senador Inácio Arruda (PCdoB) para ocupar uma vaga de titular na CPI da Petrobras, que será instalada na terça-feira. Para se efetivar no cargo, o parlamentar teve de deixar na quarta-feira a relatoria da CPI das ONGs por determinação do regimento da Casa.

Reuters |

Coube então ao presidente da CPI das ONGs, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), indicar o novo relator da comissão. O escolhido foi o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que tomou posse do novo cargo nesta quinta-feira.

"Vou fazer uma investigação doa a quem doer. Não tenho interesse em condenar ou absolver ninguém. Meu papel é investigar, e isso será feito", afirmou o tucano a jornalistas.

Assim, apesar de não ter nenhuma cadeira no comando da CPI da Petrobras, a oposição conseguiu obter o controle dos dois postos-chave da CPI das ONGs. Fortes deu um prazo de uma semana para Virgílio se preparar e estabelecer um plano de trabalho para a comissão, que nos últimos meses vinha reduzindo o ritmo de trabalho.

Instalada em outubro de 2007, a CPI das ONGs terminaria no dia 1o de julho, mas DEM e PSDB conseguiram estender o prazo das investigações.

"Ela foi prorrogada ontem até dezembro", comentou Fortes à Reuters.

O senador do Democratas disse ter "esperança" de que a CPI das ONGs trabalhe para complementar as investigações da CPI da Petrobras e consiga apurar as ligações da estatal com organizações não-governamentais.

Na noite de quarta-feira, quando soube que seria substituído, Arruda protestou: "É manobra da oposição para atacar o governo."

Apesar de ocupar a presidência e a relatoria da CPI das ONGs, a oposição também é minoria no colegiado. DEM e PSDB têm quatro das 11 cadeiras do colegiado, uma a mais das que possuem na CPI da Petrobras.

Em 2005 e 2006, a oposição aproveitou a instalação da CPI dos Bingos para investigar assuntos que renderam constrangimentos a integrantes do governo. Na época, a comissão foi apelidada de "CPI do Fim do Mundo" pelos governistas.

(Reportagem de Fernando Exman)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG