BRASÍLIA - O governo da Islândia negou o refúgio político solicitado pelo médico Hosmany Ramos e autorizou a extradição dele ao Brasil, como solicitado pelo governo brasileiro. Em documento encaminhado ao Ministério da Justiça na última sexta-feira, contudo, a Islândia afirmou que vai analisar um recurso impetrado por Hosmany, que pede reconsideração quando à decisão de extraditá-lo. O cirurgião brasileiro também tentou entrar com recurso para que os islandeses reavessem seu pedido de refúgio, o que foi negado pelo país.

Procurado pela reportagem do iG, o secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Júnior, confirmou a autorização de extradição de Hosmany.  

Condenado a mais de 40 anos de prisão pelos crimes de homicídio, roubo, tráfico de drogas e contrabando, Hosmany é foragido da Justiça brasileira. Ele está preso na Islândia desde agosto, quando foi detido ao tentar entrar no país com um passaporte falso, em nome de um irmão.

Hosmany cumpria regime semiaberto na Penitenciária de Valparaíso, no interior de São Paulo, e fugiu da prisão durante o indulto de natal dado aos presidiários, no final do ano passado. Ele deveria ter se reapresentado em janeiro deste ano.

Embora Hosmany tente reverter a extradição, autoridades brasileiras envolvidas nas negociações entre os países consideram impossível isso acontecer, já que o governo da Islândia, num primeiro momento, a autorizou.

Trajetória polêmica

Divulgação

Hosmany foi preso pela primeira vez nos anos 80

No final dos anos 70, Hosmany Ramos era um médico famoso, trabalhava como assistente do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e frequentava as colunas sociais da época. Em novembro de 1981, ele foi preso e condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato de dois cúmplices ¿ o piloto Joel Avon e o estelionatário Firmiano Angel ¿, por roubo de aviões e contrabando de carros importados.

Em maio de 1996, às vésperas de receber a liberdade condicional, Hosmany teve autorização para visitar a família no Dia das Mães e não retornou. O escritor foi preso meses depois, envolvido em um sequestro e condenado a mais 32 anos. Somadas, suas penas atingem 53 anos.

Em janeiro deste ano, Hosmany não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Valparaíso (a 577km de São Paulo) após uma saída temporária para as festas de fim de ano. Segundo advogados, a fuga seria um protesto contra as más condições da prisão e envolveria o medo de ser morto após as denúncias.

O ex-cirurgião plástico tem mais de cinco livros publicados, todos escritos enquanto esteve preso, sendo O goleador a última obra lançada.

Assista ao vídeo sobre a trajetória de Hosmany Ramos:

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