Nada muda na defesa de casal , diz defesa - Brasil - iG" /

Isabella: Nada muda na defesa de casal , diz defesa

Os advogados Rogério Neres de Sousa e Marco Polo Levorin, que defendem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, denunciados nesta terça-feira à Justiça pelo assassinato da menina Isabella Nardoni, afirmaram que nada muda na defesa deles depois da decisão do Ministério Público (MP) de pedir a prisão preventiva. Segundo Sousa, eles só se manifestarão depois de a denúncia ser analisada pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana, na zona norte de São Paulo.

Agência Estado |

O promotor Francisco Cembranelli afirmou nas seis páginas que compõem a denúncia que há "provas contundentes" de que Isabella foi asfixiada por Anna Carolina para depois ser jogada do 6º andar por Alexandre Nardoni. Além de ser acusado de homicídio qualificado com três agravantes - motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima -, o casal também foi responsabilizado por fraude processual (alteração da cena do crime).

"Sabíamos que o promotor Francisco Cembranelli iria oferecer essa denúncia, então, a defesa não fará nada de diferente por enquanto", disse Sousa. "Sobre a suposta fraude processual, é mais um item que a acusação terá de provar, e não apenas supor. O casal não alterou a cena do crime. Primeiro falaram que foi o pai do Alexandre que mexeu na cena do crime, depois falaram que foi a irmã... E não deu em nada, não conseguiram provar nada."

Hoje, um advogado do escritório que representa o casal ficou de plantão no Fórum de Santana para ter acesso ao parecer do MP. A defesa acredita que poderá provar que o promotor não conseguiu "individualizar a conduta" do casal em sua denúncia - precisar exatamente o que eles fizeram e discriminar as responsabilidades com base nos laudos e depoimentos do inquérito. Se o juiz considerar que o MP não descreveu o crime em todas as circunstâncias, a denúncia pode ser considerada "inepta".

Na tentativa de desqualificar as provas da polícia, os advogados vão contratar um perito e um médico-legista para fazer um parecer técnico sobre os laudos apresentados pelos Institutos de Criminalística e Médico Legal. "Vamos mostrar a fragilidade da acusação", diz Levorin. "Também descartamos entrar com habeas-corpus preventivo, pois acreditamos que não há base legal para a prisão ser realmente decretada."

Motivos do crime

O promotor Francisco Cembranelli pediu, nesta terça-feira, a prisão preventiva - até o julgamento - de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá

Sobre a motivação do crime, o promotor declarou que o conteúdo da briga do casal, ocorrida antes do assassinato de Isabella, é irrelevante frente às provas de autoria e desenvolvimento do fato. "Já temos provas contundentes do desentendimento do casal e da posterior agressão à criança. Não há necessidade de precisarmos a motivação", disse.

Sobre as discussões do casal, o promotor afirmou que a maioria delas era ocasionada pelo ciúme de Anna Carolina, porém não pode ser afirmado que a agressão de Isabella tenha sido ocasionada por este motivo. "Muitas das discussões entre o casal ocorriam durante a semana, segundo provas testemunhais, principalmente quando Isabella estava presente. Pelo menos dez testemunhas disseram isto", disse. Cembranelli ainda afirmou que o casal possui um "perfil agressivo".

Controvérsias do laudo

A denúncia oferecida pelo MP também aponta que o vômito de Isabella foi comprovado pelos legistas. O promotor afirmou ainda que foi encontrada substância similiar ao vômito na roupa da menina e na roupa do pai. "Mas não considero isso tão relevante no momento", afirmou Cembranelli.

Sobre a presença de sangue de Isabella no carro do casal, Cembranelli declarou que "há mais indícios além do exame de DNA". Entre eles está a localização da criança no carro antes do crime e a prova de que o sangue é recente.

O futuro do caso

Na entrevista coletiva, o promotor disse que a prisão preventiva do casal é para acelerar a solução do crime. Caso ela não fosse pedida, o processo inteiro poderia durar entre cinco e seis anos, afirmou Cembranelli. "Se valesse somente minha vontade, teríamos o fechamento deste caso antes do final do ano".

Segundo o promotor, durante o processo de investigação o casal "não se comprometeu com a verdade". O promotor salientou ainda que a pena, caso o casal seja julgado culpado pelo crime, é de, no mínimo, 12 anos de prisão.

De acordo com o promotor, no julgamento do casal podem ser acrescentados dois agravantes: um seria apenas em relação a Alexandre, que é o crime contra descendente. Já o outro caberia ao casal, que é homicídio contra menor de 14 anos. Cembranelli afirmou também que caso o julgamento fosse marcado até o final desta semana, ele teria condições de formular a condenação do casal baseado nas provas apresentadas.

Sobre a possibilidade do depoimento de Pietro, irmão mais velho de Isabella, o promotor afirmou que não vê necessidade de que ele seja ouvido.

Isabella Nardoni em foto de arquivo
Cembranelli acredita que o pedido de prisão preventiva é ainda mais contundente do que aquele apresentado durante as investigações, que permitiu a prisão provisória do casal. "Hoje nós temos um acervo muito mais rico, com mais de 60 depoimentos tomados, e um detalhamento dos laudos feitos pela perícia. Tudo isto justifica a proposta de aprisionamento."

Denúncia está na Justiça

O promotor entregou a denúncia contra o casal à Justiça nesta terça-feira. As convicções apresentadas por ele é a base de todo o processo criminal, que começará se a Justiça aceitar a acusação. E será contra os argumentos de Cembranelli que a defesa do casal montará sua estratégia. Dessa forma, quanto mais resumida e genérica a denúncia, melhor para a acusação.

A partir da apresentação, o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, do Fórum de Santana, terá cinco dias para decidir sobre o início, ou não, de uma ação penal contra o casal.

Conselho Tutelar

As representantes do Conselho Tutelar de Guarulhos Rose Landini e Nilza Alves visitaram nesta segunda-feira, 5, os irmãos de Isabella Nardoni, Cauã, de 1 ano, e Pietro, de 3 anos. Após duas horas de visita, as conselheiras deixaram o apartamento dos pais de Anna Carolina Jatobá, em Guarulhos.

Segundo elas, as crianças estão "fisicamente e psicologicamente bem". Após essa constatação, elas irão preparar um relatório sobre o que presenciaram para ser encaminhado para a Vara da Infância e Juventudade de São Paulo.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

MAIS NOTÍCIAS SOBRE O CASO:

VÍDEOS DO CASO ISABELLA

Laudos

Depoimentos

Prisão

Reprodução

Isabella em vídeo

OPINIÃO

Paulo Moreira Leite:

    Leia tudo sobre: isabella

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG