Irmãos do governador do AM são acusados de agressão

O coordenador do curso de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor doutor Gilson Monteiro, foi agredido no fim da tarde de ontem enquanto ministrava aula para alunos do primeiro período de Jornalismo. Segundo Monteiro, os agressores foram Amim e Mansur Aziz, irmãos do vice-governador do Amazonas, Omar Aziz.

Agência Estado |

A delegacia da Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar a denúncia.

De acordo com o professor, a discussão acadêmica sobre a "influência política na prática de jornalismo em Manaus", da disciplina Tópicos Especiais em Jornalismo I, ganhou proporções inesperadas depois que ele citou como exemplo a cobertura das denúncias e o suposto envolvimento do vice-governador Omar Aziz em casos de pedofilia. Omar teve o nome citado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional que investigava a Exploração Sexual Infantil no País.

"Foi nesse momento que uma aluna se levantou, disse que eu não poderia falar aquilo, e se retirou da aula. Vinte minutos após ela retornou, acompanha do pai, Mansur Aziz, e do tio, Amim Aziz. Ele (Amim) perguntou se eu era o professor da disciplina e foi logo me agredindo. Deu socos, pontapés e me derrubou, além de fazer gestos de que estava descarregando uma arma em cima de mim, enquanto eu me defendia. O outro (Mansur), me agredia verbalmente", disse.

Após o ocorrido, Monteiro relatou o caso à reitoria da universidade, registrou boletim de ocorrência em uma unidade da Polícia Civil e termo de declaração na sede da PF em Manaus, além de fazer exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML). "Sou servidor público federal e vou solicitar segurança, por agentes dessa esfera, pra mim e minha família, porque fui ameaçado." A Ufam ainda não se pronunciou sobre o assunto.

'Exagero'

À imprensa local, Amim Aziz confirmou ter tomado a atitude que ele mesmo considerou como "exagerada" e disse estar arrependido do que fez. Mas disse que agiu dessa forma depois de ver a sobrinha de 17 anos chorando e dizendo que havia sido agredida pelo professor. "Fui lá defender a minha família, como qualquer pai faria. Agi de sangue quente." A aluna é considerada pelo tio como uma filha.

Em entrevista coletiva, o vice-governador Omar Aziz preferiu não comentar o envolvimento do irmão no caso, mas informou que vai processar o professor da Ufam. "Meu irmão é maior de idade e sabe o que faz. Agora, eu desafio as pessoas que falam essas coisas de mim, por maldade, a apresentar provas contra essa acusação. Vou tomar providências", afirmou.

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