Irmãos Coen exibem em Roma filme sobre homem à beira de um surto

ROMA ¿ A triste história de um homem da classe média americana à beira de um surto que os irmãos Joel e Ethan Coen contam no filme A Serious Man foi apresentada hoje, fora de concurso, no 4º Festival Internacional de Cinema de Roma.

EFE |

Os Coen foram um dos grandes atrativos do penúltimo dia do concurso cinematográfico, assim como a atriz americana Meryl Streep, que apresentou, também fora de concurso, o filme "Julie & Julia", de Nora Ephron.

"A Serious Man" conta a vida de um professor judeu que enfrenta como pode os infortúnios ao seu redor e que os cineastas apresentam em um tom entre a ironia e o humor negro.

Os lugares e os personagens da comunidade judaica que perpassam a história, ambientando nos Estados Unidos dos anos 60, têm muito das experiências que os dois diretores acumularam ao longo de suas vidas, sobretudo na infância.

"Sem dúvida existe muito dos lugares nos quais crescemos. Quanto ao que de fato ocorre na história, esta não é de todo autobiográfica. O cenário era importante para fazer o filme e inspirar os personagens, mas a história não é tão fiel", disse Ethan durante a entrevista coletiva.

Joel Coen, o outro diretor do longa-metragem de 105 minutos de duração, insistiu que o filme é fiel à realidade do contexto, mas não à tragicômica história que narra.

"O filme era sobre uma comunidade judaica. Isso era uma espécie de gêneses. A ideia geral quando começamos a rodar era fazer um filme sobre uma comunidade judaica", comentou o cineasta, autor de títulos como "Não Country for Old Men"(Onde os fracos não tem vez).

Joel Coen negou que seus filmes anteriores tivessem como objetivo mostrar um suposto vazio no âmago da sociedade americana. Segundo ele, os personagens que aparecem em "A Serious Man" provêm de suas experiências vitais.

"Não acho que isso ocorre só neste filme, nem que os personagens só neste filme sejam retratos. Sempre se busca inspirações em pessoas conhecidas combinadas com várias outras coisas. É justo dizer que os personagens no filme refletem pessoas que conhecemos e combinações de personalidades de pessoas que conhecemos", apontou.

Os dois cineastas falaram sobre a possibilidade de a comunidade judaica dos EUA se opor ao retrato desenhado no filme. Nesse sentido, porém, os irmãos afirmam que não receberam grandes queixas até agora.

"Não recebemos muitas reações negativas da comunidade judaica. As opiniões nos EUA foram até melhor do que o esperado. Mas não tentamos saber as reações sobre o filme porque vão oscilar do riso à preocupação", comentou Ethan.

Seu irmão Joel assegurou que a comunidade judaica dos Estados Unidos se mostrou muito sensível a alguns assuntos, apesar de que as questões religiosas e éticas, segundo ele, sempre podem gerar controvérsia.

Na entrevista coletiva, esteve presente o protagonista do longa-metragem, Michael Stuhlbarg, que interpreta o professor Larry Gopnik, que precisa lidar com todo tipo de contrariedades e busca conselhos com vários rabinos.

Stuhlbarg demonstrou felicidade por trabalhar com os irmãos Coen, com um roteiro em que pode apresentar as muitas faces de um personagem que soube refletir o espírito judeu.

    Leia tudo sobre: irmãos coen

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG