Irmãos Coen abrem Festival de Veneza ao lado de curta com toque brasileiro

VENEZA ¿ O festival de cinema mais antigo do mundo e um dos mais importantes da Europa, ao lado de Cannes e Berlim, inaugura sua 65ª edição nesta quarta-feira (27) com a projeção de Queime Depois de Ler, dos irmãos Joel e Ethan Coen, na presença dos astros Brad Pitt e George Clooney, dando a largada na temporada de apostas para o Oscar 2009. A abertura da sessão de gala em Veneza, porém, terá um toque brasileiro, com a exibição do curta-metragem Do Visível ao Invisível, do centenário cineasta português Manoel de Oliveira, mas protagonizado por Leon Cakoff, diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Redação com agências internacionais |

Clooney e Pitt posam para imprensa em Veneza na
sessão de fotos de "Queime depois de ler" / AP

Apresentado fora de competição, o primeiro trabalho dos irmãos Coen após o sucesso de "Onde os Fracos Não Têm Vez" tem ainda no elenco John Malkovitch, Frances McDormand e Tilda Swinton. Com estréia no Brasil marcada para 28 de novembro, o filme conta as aventuras de um ex-agente da CIA que escreve suas memórias e cujo manuscrito acaba nas mãos de dois funcionários de uma academia de ginástica. Certa de que se trata de algo valioso, a dupla tenta vender o material e conseguir dinheiro para fazer cirurgias plásticas.

"Os personagens atravessam a crise dos cinqüenta e sua história se mistura às questões de segurança nacional. O filme aborda, ao mesmo tempo, o mundo das academias e o da CIA: ele conta o que acontece quando esses dois mundos se encontram", explicou Joel Coen.

Esta edição do festival, que se estende até 06 de setembro, será dedicada a Youssef Chahine, uma das maiores figuras do cinema do Egito, falecido em julho e celebrado ao longo de toda a carreira, desde a década de 1950, em mostras internacionais. O longa "Cairo: Central Station" (1958), com cópia restaurada, será projetado no próximo domingo.

Charlize Theron está em "The
Burning Plain" / Divulgação

Briga pelo Leão de Ouro

O júri que vai decidir os vencedores será presidido pelo cineasta alemão Wim Wenders ¿ ganhador do Leão de Ouro em 1982 com "O Estado das Coisas" ¿, ao lado da argentina Lucrecia Martel, John Landis ("Os Irmãos Cara-de-Pau") e da atriz italiana Valeria Golino, entre outros integrantes. Os prêmios principais de Veneza são melhor filme, diretor, ator e atriz, ator e atriz novatos, contribuição técnica e roteiro.

Entre os 52 filmes selecionados, 21 estão em competição. Muito esperado, o norte-americano Jonathan Demme, diretor de "O Silêncio dos Inocentes" e "Filadélfia", apresentará "Rachel Getting Married", comédia estrelada por Anne Hathaway ("O Diabo Veste Prada"). Seu compatriota Darren Aronofsky ("Pi", "Réquiem para um Sonho"), por sua vez, vai apresentar "The Wrestler", com Mickey Rourke.

Na linha de frente também figuram o veterano Barbet Schroeder ("Inju, la Bete dans l'Ombre") e os japoneses Hayao Miyazaki ("Viagem de Chihiro"), que traz sua nova animação, "Ponyo On The Cliff By The Sea", e Takeshi Kitano, "Achilles And The Tortoise", já premiado em Veneza por "Hana-Bi, Fogos de Artifício" (1997). O roteirista mexicano Guillermo Arriaga ("Babel", "21 Gramas") estréia na direção com "The Burning Plain", estrelado por Charlize Theron.

Dois africanos estão na disputa: "Teza", do etíope Haile Gerima, que conta a história de um jovem dessa nacionalidade que volta para casa, após anos de estudos na Alemanha; e o longa franco-argelino "Gabba" ("Inland"), de Tariq Teguia.

Alessandra Negrini e Selton Mello em cena de "A Erva do Rato", de Julio
Bressane, que será exibido na mostra paralela "Horizonte" / Divulgação

O Brasil participa com duas co-produções internacionais, ambas com equipe e elenco brasileiros. "Birdwatchers", do italiano Marco Becchis, registra o cotidiano e a disputa por terra dos índios guarani-kaiowà em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Protagonizado pelos próprios índios, o filme ainda tem a participação de Matheus Nachtergaele e Leonardo Medeiros. Já "Plastic City" ("Cidade de Plástico"), do chinês Yu Lik-wai, retrata a ação da Yakuza em São Paulo, com lutas com espadas e efeitos digitais.

Nas mostras paralelas de Veneza, os brasileiros marcam presença com "Encarnação do Demônio", final da trilogia de José Mojica Marins para o terrível Zé do Caixão, que fracassou nas bilheterias nacionais, e, na mostra "Horizonte", com "Erva de Rato", baseado em dois contos de Machado de Assis ("Um Esqueleto" e "A Causa Secreta") e dirigido pelo casal Julio Bressane e Rosa Dias.

O trabalho de estréia como diretora da atriz Natalie Portman irá abrir a mostra paralela de curtas-metragens. "Eve" tem 17 minutos e foi classificado pelos organizadores do festival como uma "comédia civilizada". Portman, que deve viajar a Veneza, escalou os veteranos Lauren Bacall e Ben Gazzara para protagonizar o filme.

Fora de competição, mas de olho na janela que Veneze proporciona, também serão exibidos os novos trabalho de Claire Denis ("35 Rhums"), do iraniano Abbas Kiarostami ("Shirin") e um documentário de Agnès Varda ("Les pages d'Agnès"), entre outros. Um Leão de Ouro pelo conjunto da obra será concedido ao diretor italiano Ermanno Olmi, de 76 anos, autor de "A árvore dos tamancos" (1978) e "A profissão das armas" (2001).

Veja abaixo a lista dos filmes que disputam o Leão de Ouro:

"The Wrestler", Darren Aronofsky
"The Burning Plain", Guillermo Arriaga
"Il papa di Giovanna", Pupi Avati
"Birdwatchers", Marco Bechis
"L'Autre",Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic
"The Hurt Locker", Kathryn Bigelow
"Il seme della discordia", Pappi Corsicato
"Rachel Getting Married", Jonathan Demme
"Teza", Haile Gerima
"Paper Soldier", Aleksey German Jr
"Sut", Semih Kaplanoglu
"Achilles And The Tortoise", Takeshi Kitano
"Ponyo On The Cliff By The Sea", Hayao Miyazaki
"Vegas: Based On A True Story", Amir Naderi
"The Sky Crawlers", Oshii Mamoru
"Un giorno perfetto", Ferzan Ozpetek
"Jerichow", Christian Petzold
"Inju, la Bete dans l'Ombre", Barbet Schroeder
"Nuit de chien", Werner Schroeter
"Inland", Tariq Teguia
"Plastic City", Yu Lik-wai

* Com informações da AFP, Reuters e EFE

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