Irmão diz que pai de Mohammed foi esquartejado

O irmão mais velho de Mohammed DAli Carvalho dos Santos, acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara Marie Burke, em julho de 2008, afirmou hoje que o pai dos dois foi assassinado e esquartejado. Eu soube que lhe deram facadas, pauladas e esquartejaram o corpo, mas nunca acharam os assassinos, contou o estudante universitário Bruce Lee, durante depoimento no Tribunal do Júri de Goiânia.

Agência Estado |

Ele também disse que o acusado tentou matá-lo na adolescência. Lee, então, mostrou cicatrizes de ferimentos na perna e no estômago que seriam resultantes de facadas dadas por Mohammed.

Lee afirmou ainda que sempre teve medo do irmão, pois ele tinha um comportamento compulsivo e não sabia como dominar suas emoções. O estudante confirmou, por diversas vezes, o que a tia havia dito, que o réu sofre com a ausência do pai e que sempre teve problemas na escola. "Ele sofreu muito com a ausência do meu pai, nunca aceitou isso e sempre cobrou isso de minha mãe", disse. De acordo com Lee, o irmão jogava pedras nos carros quando era pequeno. "Acho que ele fazia isso porque sabia que nosso pai, policial militar, nunca mais voltaria."

O estudante informou também que percebeu que Mohammed usava drogas quando chegou de uma viagem aos Estados Unidos e constatou que o irmão havia vendido sua televisão. Ele disse que, na época, contou o ocorrido para a mãe, mas ela não acreditou. Depois disso, Mohammed teria vendido uma motocicleta e comprado um revólver para matar o irmão, por vingança. O estudante afirmou que Mohammed chegou a desmontar um carro na garagem da casa da família. "Acho que tudo isso se deve à ausência dos nossos pais. Na maior parte das vezes, ficávamos sozinhos."

Transtorno

No depoimento, o psicólogo Fred Lacerda, contratado pela defesa de Mohammed, confirmou integralmente o parecer dado pelos profissionais do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) a respeito da saúde mental do réu. De acordo com os diagnósticos, Mohammed é portador de transtorno de personalidade antissocial.

O psicólogo informou que submeteu Mohammed a uma entrevista de cerca de uma hora e com a ajuda de um médico indagou o acusado a respeito do seu histórico, analisando, dessa forma, suas características e possíveis contradições. Ele relatou também que o transtorno do estudante é passível de melhora, mas não de cura, uma vez que não pode ser considerado uma doença.

"Em termos gerais, o problema de Mohammed é igual à psicopatia, mas clinicamente deve-se dizer transtorno de personalidade antissocial", afirmou. Questionado pelos jurados se uma pessoa portadora dessas características pode desenvolver um surto a qualquer momento e atacar alguém, o psicólogo respondeu que sim, além de afirmar que assumiu os riscos de entrevistar o rapaz sem a presença de um agente carcerário. Fred endossou ainda que uma pessoa com essas características tem consciência de seus atos, mas não é capaz de controlá-los.

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