Irmã de Dantas fechou contas no exterior para esconder integrantes do grupo

BRASÍLIA - Em conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, conforme relatório sigiloso que embasou pedido de prisão preventiva dos envolvidos na Operação Satiagraha, a irmã do banqueiro Daniel Dantas, Verônica Dantas, conversa com um dos principais executivos do grupo Opportunity, Dário Ferman, e discute estratégias para o fechamento de duas contas no exterior, uma no Banco Safra com depósitos em Luxemburgo e outra no UBS de Londres.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |


A intenção, segundo a PF, seria ocultar os responsáveis pelas contas, uma vez que os bancos passaram a cobrar documentos sobre os titulares que, segundo Dário, seriam eles mesmos.

Numa das ligações, de 17 de abril deste ano, Ferman comenta que o Safra "quer documentos sobre o responsável pela administração da conta (trustee, em inglês) e quem são os beneficiários". Para Dário, o banco estaria "inventando isso" e pede a permissão de Verônica para encerrar a conta uma vez que o dado solicitado é "muito confidencial".

O executivo ainda destaca que a abertura dos dados é "muito sensível" e que Verônica "sabe porquê". Após isso a irmã de Dantas autoriza o fechamento e fica de enviar um fax com sua assinatura para a concretizar a ação.

Ainda nesta ligação, Ferman pergunta a Verônica como "estão as outras coisas", que lhe responde que "estão indo bem". Ao ouvir a resposta o executivo emenda: "Quanto tempo você acha que leva para ter a aprovação da agência reguladora sobre a venda?", dando a entender que as "outras coisas" seria a fusão da Brasil Telecom com a Oi.

Em outra ligação, de 15 de maio, Ferman discute com Verônica a situação de uma conta no UBS de Londres. Ele alega que o banco está querendo saber quem é o cliente e que está disposto a enviar um representante ao Brasil para conhecê-lo. Devido a isso o executivo sugere que seja feito o mesmo procedimento realizado com a conta do Safra, o fechamento.

"Outra coisa, temos uma pequena conta na estrutura que você conhece com a UBS em Londres e eles estão nos ligando porque querem conhecer o cliente e vão mandar pessoas de Londres para o Brasil. Eu não posso dizer a eles, mas nós somos o cliente (...) Estou preocupado que cheguem ao Brasil com vários documentos, e as implicações disto não são conhecidas", diz Ferman.


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