IPCA-15 fica abaixo do esperado com alívio em alimentos

SÃO PAULO, 24 de julho (Reuters) - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou abaixo do esperado em julho, influenciada pela desaceleração nos preços de alimentos. O indicador teve alta de 0,22 por cento neste mês, ante avanço de 0,38 por cento em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira.

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A mediana das previsões de 33 economistas consultados pela Reuters apontava inflação de 0,38 por cento, resultado de estimativas de 0,25 a 0,42 por cento.

De acordo com o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de uma alta de 0,70 por cento em junho para 0,33 por cento este mês, influenciado principalmente pela alta menor do leite pasteurizado (de 12,20 para 9,25 por cento). Ainda assim, Alimentação contribuiu com 0,07 ponto percentual do índice, enquanto o leite pasteurizado, com 0,11 ponto.

Também apresentaram resultados menores carnes (-0,35 por cento), batata inglesa (-12,91 por cento), óleo de soja (+0,25 por cento) e pão francês (-0,45% por cento). E continuaram em queda arroz (-2,39 por cento), frutas (-1,80 por cento), cenoura (-14,42 por cento), feijão preto (-4,57 por cento), hortaliças (-2,17 por cento) e pescados (-0,59 por cento).

Já a inflação no grupo Habitação acelerou para 0,66 em julho, ante 0,34 por cento em junho, contribuindo com 0,09 ponto. A variação este mês deve-se, principalmente, à energia elétrica (+1,18 por cento), que refletiu o resultado de São Paulo (+4,80 por cento), captando mais da metade do reajuste de 8,63 por cento concedido a partir de 4 de julho.

Também contribuíram com a alta maior no grupo gás de botijão, que subiu 1,34 por cento; e aluguel residencial, com avanço de 0,47 por cento.

No ano até julho, o IPCA-15 acumulou alta de 2,72 por cento. Em 12 meses, a alta do índice é de 4,47 por cento, abaixo dos 4,89 por cento dos 12 meses imediatamente anteriores.

Conforme destacou a equipe de economistas da Rosenberg Consultores Associados, em relatório, é a primeira vez que o índice fica abaixo do centro da meta desde dezembro de 2007.

Das 11 capitais analisadas pela pesquisa, apenas duas mostraram aceleração nos preços entre junho e julho: Curitiba (de +0,33 para +0,75 por cento) --que também registrou a maior taxa-- e Fortaleza (de +0,54 para +0,72 por cento). A menor taxa foi registrada em Belém (que passou de +0,30 para -0,06 por cento).

São Paulo registrou alta de 0,23 por cento e o Rio de Janeiro, de 0,09 por cento. Em junho, as variações foram positivas em 0,31 e 0,40 por cento, respectivamente.

O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do governo.

No mercado de juros futuros, as taxas abriram em queda após a divulgação do dado. Às 10h17, o DI janeiro de 2010 projetava 8,64 por cento ao ano, ante 8,66 por cento no ajuste da véspera. Janeiro de 2011 estava em 9,85 por cento, ante 9,89 por cento no ajuste de quinta-feira.

"O IPCA-15 foi muito bom e longe do que se esperava o mais otimista entre os analistas", disse um profissional da área de DI de uma corretora em São Paulo.

Em email a clientes, o economista do BNP Paribas Diego Donadio avaliou que, de modo geral, a melhora na maioria dos componentes do índice sustentam a avaliação do banco de que a dinâmica inflacionária está bem contida, também ajudada por um baixo efeito inercial da inflação passada.

NÚCLEOS RECUAM

Conforme levantamento da Rosenberg, todas as medidas de núcleo apresentaram desaceleração frente o mês anterior, sendo que o por exclusão passou de 0,39 para 0,13 por cento, enquanto os núcleos por médias aparadas passaram de 0,35 para 0,17 por cento (sem suavização) e de 0,46 para 0,28 por cento (suavizado).

O índice de difusão, também de acordo com a Rosenberg, cedeu, de 62,76 para 53,65 por cento.

(Por Paula Laier)

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