IPCA desacelera menos, mas núcleos confirmam alívio

Por Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação pelo IPCA superou a previsão de analistas em junho, mas mostrou desaceleração sobre o mês anterior devido a menores pressões de remédios, cigarros e tarifas de energia e de água e esgoto. Os núcleos subiram menos.

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Essa sinalização dúbia levou alguma instabilidade ao mercado de juros futuros . Mas, para analistas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que a inflação está diminuindo, ainda que lentamente, e não muda os cenários para Selic no ano.

"Para os próximos meses esperamos taxas mais amenas de alta dos serviços, em parte compensada por uma elevação mais expressiva de preços administrados", afirmou a Rosenberg & Associados em relatório.

"Movimentos sazonais ou volatilidade mais elevada de alguns produtos ainda podem repercutir em alterações na inflação, porém dificilmente os preços terão variação muito distinta do centro da meta no acumulado do ano."

O IPCA avançou 0,36 por cento em junho, após subir 0,47 por cento em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Analistas consultados pela Reuters esperavam avanço de 0,31 por cento.

Os núcleos do índice também desaceleraram. O IBGE não faz esse cálculo, mas a LCA Consultores informou que a média dos núcleos por exclusão e por médias aparadas com e sem suavização foi de alta de 0,33 por cento, ante 0,46 por cento em maio.

"No geral, o IPCA mostra que a inflação está contida, mas que a desaceleração é lenta", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Eulina Nunes dos Santos, economista do IBGE, disse que em julho "a previsão é que o IPCA sofra poucas pressões". Por enquanto, as previstas são aumentos de energia em São Paulo e no ônibus interestadual.

ALIMENTOS SOBEM, CIGARROS E REMÉDIOS CAEM

A forte alta do leite impediu uma desaceleração mais acentuada do IPCA em junho. O produto fechou o semestre com a maior elevação do Real, de acordo com o IBGE.

O item subiu 9,77 por cento em junho e deu uma contribuição de 0,14 ponto percentual ao IPCA, o equivalente a 40 por cento da variação do índice do mês.

A elevação do leite desencadeou acelerações de preços de derivados como queijos, leite em pó e creme de leite.

"O leite passa por um período de entressafra e há infomações de aumento das exportações devido ao crescimento da demanda pelo produto", disse Eulina, do IBGE.

No ano, o leite já aparece no topo da lista dos produtos que mais pressionaram a inflação, com elevação de 28,88 por cento e contribuição de 0,29 ponto percentual.

O leite fez os preços do grupo Alimentação e Bebidas subir 0,70 por cento no mês passado, acima da variação de 0,44 por cento no anterior.

Por outro lado, os preços do grupo Habitação avançaram 0,27 por cento em junho, após subirem 0,72 por cento em maio, "em função da menor incidência de reajustes na taxa de água e esgoto, aluguel residencial e energia elétrica", segundo o

IBGE.

Os custos de Saúde e cuidados pessoais tiveram avanço de 0,49 por cento em junho, ante 0,68 por cento em maio, refletindo um menor impacto dos reajustes dos remédios.

O grupo Despesas pessoais teve elevação de preços de 0,49 por cento no mês passado ante 1,57 por cento no anterior, devido a uma queda dos cigarros e um menor aumento de custos de empregado doméstico.

Mostrando que o setor está em período de liquidações, os preços de Vestuário desaceleraram a alta para 0,53 por cento em junho, frente a 1,16 por cento em maio.

(Edição de Daniela Machado)

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