Investimento estrangeiro direto no Brasil é recorde para maio

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou em maio déficit em transações correntes de 1,738 bilhão de dólares, resultado pior que o esperado pelo mercado e o maior saldo negativo desde janeiro.

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Os investimentos estrangeiros diretos, por outro lado, foram recordes para o mês, em 2,483 bilhões de dólares, e as aplicações em ações e renda fixa superaram o volume registrado há um ano, alcançando 3,330 bilhões de dólares.

"Os números de investimento vieram bastante positivos e mostram a confiança no país", afirmou nesta quarta-feira o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, ao apresentar os dados.

Analistas de mercado projetavam déficit de 1,35 bilhão de dólares em maio, de acordo com a mediana das estimativas ouvidas pela Reuters.

Em igual período do ano passado, a conta corrente havia sido deficitária em 786 milhões de dólares. A elevação do déficit na comparação anual reflete, principalmente, a redução do superávit comercial no período.

Com o resultado de maio, o déficit em transações correntes acumulado em 12 meses passou a 1,51 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,41 por cento do PIB em 12 meses até abril.

NOVAS PROJEÇÕES

No acumulado do ano, no entanto, o déficit em conta corrente, de 6,612 bilhões de dólares, permanece bem abaixo do registrado no mesmo período de 2008, de 14,090 bilhões de dólares. Além disso, o Banco Central reduziu sua projeção de saldo negativo no ano.

O novo prognóstico aponta déficit de 15 bilhões de dólares, ante estimativa anterior de 16 bilhões de dólares. A alteração refletiu, principalmente, uma redução da projeção de importações no ano, para 138 bilhões de dólares, frente ao patamar anterior de 141 bilhões de dólares.

"A queda das importações de janeiro a maio, de 27 por cento, foi maior do que esperávamos", afirmou Lopes. Ele acrescentou que a expectativa é de que as importações apresentem alguma recuperação ao longo do segundo semestre, com a retomada da atividade, mas ainda assim devem fechar o ano com queda de 20 por cento frente a 2008.

O BC também melhorou expressivamente o prognóstico para os investimentos externos em papéis domésticos de longo prazo e ações em 2009, que passou a um fluxo positivo de 3 bilhões de dólares. A estimativa anterior era de saída de 10 bilhões de dólares.

Mas, se confirmado, o fluxo estimado para 2009 ainda representaria menos da metade dos 6,252 bilhões de dólares que ingressaram no país por meio desses investimentos no ano passado.

Lopes frisou que o novo prognóstico corresponde aos investimentos acumulados até maio e é "conservador".

Já a estimativa do BC para as remessas de lucros e dividendos piorou, passando para 17 bilhões de dólares, de um patamar anterior de 15 bilhões de dólares. A variação, segundo o BC, acompanha apenas a valorização prevista para o real --que eleva o volume das remessas em dólares.

O volume previsto equivale a menos da metade dos 33,875 bilhões de dólares remetidos em 2008, quando esse fluxo de saída foi impulsionado pela atividade aquecida e o real valorizado.

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