Um semana após o assassinato do tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, diretor do presídio Gabriel Castilho (Bangu 3B), a investigação do crime não avançou. Titular da Delegacia de Homicídios, o delegado Roberto Cardoso, responsável pelo inquérito, disse hoje que não tem nada de novo sobre o caso.

Cardoso deu rápida entrevista quando deixava, no início da tarde de hoje, o prédio da Chefia de Polícia Civil, onde fica seu gabinete. Quando indagado sobre o andamento do inquérito, uma semana após o crime, ele declarou: "O que tem, não posso passar." Em seguida, já dentro do elevador, repetiu que não havia novidade.

O acesso ao inquérito não foi permitido. Cardoso ouviu quatro pessoas ontem: o subdiretor do presídio, Eduardo Souza Neto, a secretária de Lourenço, Luciene da Silva, o irmão dele, Alexandre do Amaral Lourenço, diretor da unidade prisional Bangu 3A, e a viúva, Beatriz Lourenço. Eles não deram entrevista. A perícia ainda não trouxe resultados à investigação.

Segundo testemunhas, os assassinos não se aproximaram do carro do diretor. Os tiros foram disparados da Avenida Brasil em direção ao carro de Lourenço, que, perseguido, havia desviado para uma estrada lateral. Uma caminhonete que teria sido usada pelos criminosos foi apreendida um dia após o assassinato. O veículo é semelhante ao que foi descrito por testemunhas, e tinha placa clonada e chassi adulterado. A caminhonete foi encontrada por uma equipe da Delegacia de Homicídios em Magé, na Baixada Fluminense.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, o deputado Alessandro Molon (PT), pretende ouvir amanhã, em audiência pública, o secretário de Administração Penitenciária do Estado, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, o presidente do Sindicato de Servidores do Sistema Penal, Francisco Rodrigues, e o delegado.

"É grave se a investigação para saber quem foi o responsável pela morte ainda não tiver avançado", declarou o deputado. "Também vamos buscar informações sobre por que o Estado falhou na segurança do diretor e também sobre que medidas foram adotadas para evitar que outros sejam assassinados." Nos últimos oito anos, sete diretores de presídios fluminenses foram assassinados.

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