Investigação liga executivos da Alstom a propina

Praticamente concluída, a investigação sobre o suposto pagamento de propinas pela Alstom indica que membros da direção da empresa estariam envolvidos em esquemas de corrupção em várias partes do mundo, inclusive São Paulo. Essa é a principal suspeita do Ministério Público suíço que, há cerca de três semanas, prendeu de forma preventiva um ex-alto funcionário da empresa.

Agência Estado |

O nome e a função do funcionário estavam sendo mantidos em sigilo. Mas, com o caso praticamente em seu estágio final, fontes na Justiça suíça revelaram quem está sendo acusado de ser a peça central do esquema de corrupção e qual teria sido o mecanismo usado para realizar os pagamentos a funcionários públicos no exterior.

Todas as atenções estão voltadas para Bruno Kaelin, um suíço de origem alemã que, no dia 21 de agosto, foi preso no vilarejo suíço de Einsiedeln. A acusação é de que teria participado de "gestão desleal, corrupção e lavagem de dinheiro". Sua prisão envolveu mais de 50 policiais e a Justiça suíça acredita que Kaelin, hoje aposentado, seja a chave para que se possa descobrir quem recebeu as propinas que teriam sido pagas pela Alstom para ganhar contratos milionários.

Em suas várias atividades dentro da companhia, Kaelin ocupou a função de garantir que os contratos entre a Alstom e as demais empresas e governos estivessem de acordo com os interesses da empresa francesa. Kaelin também ocupou um cargo no conselho de administração da empresa, entre 2000 e 2006, o que lhe dava amplos poderes e um contato constante com os principais executivos da Alstom.

Os suíços ainda contaram com a ajuda de investigadores franceses. Juntos puderam reconstituir o esquema que permitiria o pagamento de propinas para garantir contratos no exterior. O circuito de corrupção esteve ativo pelo menos desde 1995, segundo as investigações. Uma das suspeitas da Justiça suíça é de que cerca de US$ 20 milhões teriam passado por esse esquema apenas para o pagamento de propinas no Brasil e na Venezuela.

Um dos braços utilizados para fazer os pagamentos seria a Cegelec, que até 2001 esteve sob o comando da Alstom. No Brasil, a Cegelec esteve envolvida em muitos projetos, entre os quais a manutenção da fábrica da Novartis em Taboão da Serra e a construção do túnel Ayrton Senna. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG