Investigação do dossiê ficará restrita ao vazamento de dados, diz Tarso

BRASÍLIA - O Ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou nesta segunda-feira que o inquérito aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar a divulgação do suposto dossiê com as contas do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, feito no Palácio do Planalto, vai se restringir ao vazamento das informações oficiais. O ministro ressaltou que apurar a suposta montagem do documento e seus objetivos, como quer a oposição, seria um ato político, pertinente apenas às CPI instaladas no Congresso Nacional.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |


"O delito apontado até agora, o tipo penal, é o vazamento ilegal de informações. Até agora não sabemos se ocorreu uma invasão dos computadores da Casa Civil", disse Tarso.

Para justificar a mudança de postura em relação à semana passada, quando declarou que não caberia à Polícia Federal atuar  no caso dossiê, o ministro da Justiça alegou ter recebido um apelo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e que tal pedido teve embasamento jurídico chancelado por elegados da PF.

"A situação mudou porque foi apresentado de maneira clara um fato determinado, que com a sindicância [aberta pela Casa Civil] não se teria condições de apurar: a passagem de maneira dolosa de informações com algum tipo de finalidade", sustentou Tarso Genro, referindo-se ao pronunciamento feito por Dilma Rousseff na sexta-feira, quando ela defendeu que uma matéria da "Folha de S.Paulo" com fotos de um computador da Casa Civil dava fortes indícios de um vazamento criminoso de dados.

Oposição quer que PF investigue quem produziu
O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou nesta segunda-feira que a decisão da Polícia Federal (PF) de apurar apenas o vazamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth Cardoso, é "uma farsa" e que a opinião pública precisa saber quem fez o dossiê.

"O governo está preocupado em saber quem viu o assassinato e não quem assassinou", afirmou o líder tucano.

O líder do DEM no Senado, ACM Neto (BA), disse que em primeiro lugar deveria ser investigado quem produziu o dossiê. "A Polícia Federal pode até investigar o vazamento, desde que isso aconteça depois de investigar a elaboração do dossiê, que é onde houve crime. O crime que está caracterizado foi na elaboração do dossiê", afirmou ACM Neto.


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