Investidores vêem menos turbulência com eleições de 2010

* Para gestores, mais políticos reconhecem vantagens da estabilidade econômica * Investidor externo vê Brasil melhor preparado

Reuters |

Por Daniela Machado e Elzio Barreto

CAMPOS DO JORDÃO (Reuters) - As eleições do próximo ano não devem brecar os investimentos no Brasil, num cenário bem distinto do visto em 2002. Segundo gestores e executivos do mercado financeiro, a estabilidade macroeconômica é agora reconhecida como essencial ao país por um número mais consolidado de políticos.

"O Brasil já percorreu todo o espectro político possível. Visto lá de fora (pelo investidor externo) não é isso que vai desequilibrar o processo de crescimento brasileiro, mas temos nossa pauta interna para cumprir", começando pela reforma política, que é "a mãe de todas as reformas", afirmou Paulo Guedes, sócio fundado da BR Investimentos e estrategista do fundo de private equity BR Educacional FIP.

"Tudo isso é problema interno nosso. Lá fora a percepção é de que o Brasil já saiu do inferno."

Guedes citou que seus investimentos são todos de prazo mais longo, entre sete e 15 anos, em áreas que demonstram apostas no país, como educação, recursos hídricos e energias renováveis.

Para Luiz Otavio Magalhães, sócio e co-fundador da Pátria Investimentos, as oportunidades "vão continuar existindo" mesmo neste período pré-eleitoral. "Eleição não é hoje o fator de preocupação que foi no passado", afirmou.

O fundo Pátria Private Equity 3 conta com 700 milhões de dólares captados, dos quais apenas 150 milhões de dólares já tiveram destino. "Já estamos com recursos. A decisão agora (de investir) é nossa.Temos cerca de 10 possibilidades em análise."

MENOS EMOÇÃO

Em 2002, a bolsa de valores brasileira chegou a mergulhar cerca de 40 por cento, enquanto o dólar alcançou 4 reais com temores de mudanças radicais na condução da política.

O ex-presidente do Banco Central e atual presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, Armínio Fraga, acredita que hoje há um reconhecimento mais generalizado entre os políticos das vantagens da estabilidade macroeconômica --o que reduz as incertezas nos mercados financeiros.

"Ano de eleição sempre traz emoções, mas estamos falando de outro nível de emoção. A grande mudança foi a que ocorreu em 2002, quando subiu ao poder um partido aguerrido de oposição", afirmou.

Investidores estrangeiros também estão menos inseguros sobre as eleições de 2010, pela avaliação de que não há como mudar radicalmente a condução da política econômica.

"O Brasil está bem posicionado entre os mercados globais", disse no congresso de mercados financeiros e de capitais da BM&FBovespa Edward Misrahi, sócio da empresa de hedge fund Eton Park, onde responde pelas operações de Europa e mercados emergentes.

Segundo ele, o Brasil pode se diferenciar, entre outros motivos, pela condição saudável do setor bancário e exposição a commodities.

(Edição de Alexandre Caverni)

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