Rio de Janeiro, 25 fev (EFE).- O violonista e compositor brasileiro Jayme Marques, introdutor da bossa nova na Europa, acha que seus contemporâneos Vinícius de Moraes e Antonio Carlos Jobim mudaram a música mundial há meio século.

"Vinícius de Moraes e Antonio Carlos Jobim foram pessoas que transformaram a música, não só a do Brasil, mas a do mundo, com a bossa nova", disse Marques à Agência Efe nesta quarta-feira.

No Brasil para uma série de shows com a cantora Maria Creuza no Rio de Janeiro e em São Paulo, Marques, que vive na Espanha há 50 anos, disse que a bossa nova conseguiu um lugar preferencial no gosto do público e na história da música porque nasceu "da espontaneidade" do fim dos anos 50 e do começo dos anos 60, e num país que à época "era o mais tranquilo do mundo".

"Não era uma música pré-fabricada. Não se pretendia vender um produto", disse Marques, quem como purista da bossa nova não vê com bons olhos os artistas que dão um toque de samba em interpretações de clássicos como "Garota de Ipanema", quebrando a sensualidade da composição original.

Segundo Marques, "cada coisa tem seu nome, tem seu espaço", e é preciso respeitar isso porque as fusões da bossa nova com outros estilos "botam todo o clima a perder".

"A bossa nova tem um pouco de jazz, mas não é jazz; tem um pouco de samba, mas não é samba; tem um pouco de choro, mas não é choro.

Todos (os gêneros) têm sua personalidade", disse o sul-mato-grossense com seu inseparável violão.

De acordo com o músico, foi a "saudade" que o trouxe de volta ao Brasil após 50 anos. "Para mim, (voltar ao Brasil) significa cursar uma matéria pendente. Vivi no Rio de Janeiro dos 14 aos 20 anos e sempre ficou em mim aquela coisa de vir aos grandes cenários de Rio", disse.

O artista, nascido em Campo Grande, vive na Espanha desde 1960, onde fez sua carreira. Porém, apesar disso, não perdeu o contato com as raízes musicais do Brasil, cujos movimentos acompanha de muito perto.

"Vejo muito bem a música brasileira. O Brasil tem raízes muito fortes e isso se nota em qualquer estilo", declarou Marques.

Apesar ser um promotor da bossa nova, o compositor também revela seu gosto pelas canções de Zeca Pagodinho, um sambista tradicional do Rio de Janeiro e que hoje é um dos campeões de venda no país. EFE joc/sc

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