Intervenção de Lula em aliança com PMDB só em 2010

BRASÍLIA (Reuters) - Uma eventual intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou de sua candidata à sucessão de 2010, ministra Dilma Rousseff, para resolver problemas que ameaçam os acordos estaduais entre PT e PMDB ocorrerá apenas no ano que vem.

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A avaliação é de políticos do governo, para os quais uma atuação agora --com o cenário eleitoral ainda obscuro e suscetível às mais variadas mudanças-- não resolveria os impasses domésticos, obstáculos à consolidação do casamento que daria a Dilma um olímpico tempo de TV e forte apoio Brasil afora.

"Em algum momento precisaremos do presidente e da ministra, mas não vejo necessidade agora", disse à Reuters o presidente do PT, Ricardo Berzoini (PT-SP).

Acontece que há no momento mais dores de cabeça que analgésicos na prateleira. A receita pode vir somente com o congresso do PT em fevereiro, quando as alianças serão chanceladas pela legenda. Até aí, nenhum alarme. O problema é se a definição ficar realmente para depois de março, quando ocorre a eleição da executiva nacional da sigla.

"É algo para o começo do ano", acrescentou Berzoini.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), defendeu atuação do presidente ou de Dilma para solucionar entraves regionais, mas uma fonte do PMDB disse, sob condição do anonimato, que isso não é uma demanda da cúpula peemedebista e que "não é a hora para resolver isso".

SEIS OBSTÁCULOS

A convenção peemedebista ocorre em junho e é a instância máxima com para chancelar a coligação. O risco é não amarrar compromissos a tempo e ficar sem esses preciosos votos dos convencionais.

Os seis Estados mais estratégicos --portanto os de maior peso na convenção-- não estão pacificados e oferecem alto grau de dúvidas quanto ao crivo à aliança.

São eles: Rio de Janeiro, em que o PT de Lindberg Farias quer concorrer ao governo com Sérgio Cabral (PMDB); Minas Gerais, onde peemedebista Hélio Costa deseja lançar-se ao Palácio da Liberdade contra os petistas Fernando Pimentel ou o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), que também disputam entre si.

Os dois Estados têm o maior peso na convenção, com 80 votos no Rio e 68 votos em Minas, conforme levantamento do partido.

Em seguida, vem o Paraná, com 63 votos. Lá, o governador Roberto Requião (PMDB) deve lançar seu vice, enquanto o PT cogita apoiar nome do PDT. No Ceará, que tem 51 votos, o problema não é para o governo, mas quem disputará as duas vagas no Senado.

Rio Grande do Sul (50 votos) e Santa Catarina (49) configuram terrenos quase intransponíveis para Dilma. Em ambos, o PMDB pretende ficar ao lado do governador José Serra (PSDB), provável candidato da oposição, importando menos a eventual intervenção de Lula ou da própria candidata.

RACHA

Fora esses, há pelo menos outros oito Estados em que a convivência não vai bem. Em São Paulo, por exemplo, há um racha. Enquanto o presidente regional da legenda, Orestes Quércia, deseja ficar com José Serra, o presidente da Câmara, Michel Temer, é cotado para a vice de Dilma.

O Estado, nono lugar em termos de influência na convenção, provavelmente seguirá dividido, gerando a busca pelo voto a voto. Essa solução pode ser repetida nos locais onde não houver consenso com o PT.

Por Natuza Nery

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