Interrupção de retirada de arrozeiros evitou tragédia, diz governador de Roraima

BRASÍLIA - Em reunião tensa da Comissão de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, criticou a atuação da Polícia Federal (PF), responsável pela retirada de não-índios das terras indígenas Raposa Serra do Sol. O governador chegou a dizer que o presidente Lula deveria lhe agradecer por não ter havido uma tragédia durante desocupação das terras homologadas, ocorrida em abril.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

"O presidente Lula tem que agradecer porque salvamos muitas vidas. Morreriam muitos índios e muitos policiais federais", disse. O governador afirmou ainda que, por esta razão, o governo local entrou no Supremo Tribunal Federa (STF) para suspender a ação da PF.

O governador voltou a argumentar que o Estado de Roraima tem 46% de seu território destinado a demarcação de terras indígenas e áreas de preservação ambiental. No processo que tramita na Suprema Corte, o governador argumenta também que a retirada dos arrozeiros irá prejudicar a economia local. Segundo o líder do Executivo estadual, a atuação do governo local não protege os arrozeiros, mas defende os interesses dos brasileiros.

Irritado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, que também participa da audiência, respondeu que a PF tem agido de forma a pacificar a região e que a polícia tem encontrado grupos violentos destruindo pontes, atacando indígenas e atirando bombas para "defender interesses conflitantes com o interesse nacional".

"Tentamos um diálogo [com ocupantes ilegais da terra indígena] que se mostrou infrutífero durante três anos", disse. Tarso declarou que as terras são da União e dos índios e não de arrozeiros "que têm títulos precários de terra". Ele também questionou sobre a existência de alguma lei que determine as lavouras de arroz como mais legítimas que as indígenas.

Apesar de o STF ter concedido a liminar, em abril deste ano, com o objetivo de evitar confrontos na região, no último dia 5 de maio, funcionários da Fazenda Depósito, controlada pelo líder do grupo de seis arrozeiros resistentes à retirada e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, teriam atirado contra índios, ferindo dez deles. O prefeito foi preso e aguarda em Brasília decisão sobre liberdade provisória.

Leia mais sobre: Raposa Serra do Sol

    Leia tudo sobre: raposa serra do sol

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG