Internet ameaça a vida dos jornais impresos

Após 90 anos de existência o Capital Times, jornal vespertino de Madison Winsconsin (noroeste) jogou a toalha ante a queda do número de leitores: acaba de vender suas rotativas para se dedicar apenas ao noticiário na internet.

AFP |

Ante a queda das vendas, que caíram para 17.000 exemplares, menos da metade do que se vendia nos anos 70, o "Cap Times" decidiu no sábado adiantar seu desaparecimento para mudar de formato e tamanho: reduzirá sua equipe de 60 para 40 funcionários e se adaptará somente à internet.

Sobre a decisão, o diretor da publicação, Clayton Frink, comentou, "compreendemos que perdemos nossos leitores e que não éramos mais pertinentes". A decisão radical, que comoveu a imprensa americana, é prova do declive dos jornais impressos nos Estados Unidos, onde os leitores cada vez mais preferem informar-se gratuitamente e pela internet.

Centenas de jornais em todo o país sofrem a queda das vendas e da demanda publicitária em suas páginas. Os jornais vivem uma hemorragia financeira, que o sucesso dos sites de internet está longe de compensar, já que os anúncios na web são baratos e não representam mais que 7% de sua renda publicitária, segundo a Newspapers Association of America (NAA).

E, para piorar a situação das publicações, a queda das vendas segue aumentando, o que representa uma diminuição de 3,6%, segundo o Bureau of Circulation, após uma baixa de 2,6% nos seis meses anteriores.

Todos os grandes jornais foram afetados, salvo os dois tablóides americanos, o 'USA Today' e 'Wall Street Journal', que vendem mais de 2 milhões de exemplares e faturaram cerca de 0,3% a mais.

No entanto, os outros grandes nomes da imprensa escrita não conseguiram contornar essa situação. O 'New York Times' e o 'Los Angeles Times', terceiro e quarto, vêm cair suas vendas em 3,9% e 5,11% respectivamente.

O ponto positivo é que os sites dos jornais, que são em maioria gratuitos, foram acessados por 66 milhões de americanos no primeiro semestre de 2008, o que representa um aumento de 12% no número de visitantes, segundo a NAA.

Apesar do alto número de visitantes, os resultados não são tão positivos, no total, os jornais americanos pederam 7,9% em 2007, com a queda de 9,4% nos impressos, que não compensa o aumento de 18,8% do número de acessos que a publicidade gerou na internet.

O lucro on-line representa, efetivamente, 3,2 bilhões de dólares contra 42 bilhões de dólares para o jornal impresso, ou seja, 7% do total. É um valor que aumenta a um passo muito lento. Por exemplo, em 2006 chegava a 5,4% da renda, segundo a NAA.

Os dados se degradaram no final de 2007 ainda mais rapidamente quando, no quarto trimestre, a renda publicitária dos jornais caiu 10,3%. "Esta tendência é estrutural", afirmou Andrew Davis, presidente do American Press Institute, em uma entrevista à revista DMNews.

"Estamos diante de um clássico caso de inovação prejudicial, no qual a indústria está sendo afetada por uma figura nova e mais barata do mercado. A saída para os jornais é desenvolver uma estratégia onde, em cada mercado, sejam os dominantes da informação local, aproveitando a conexão. O desafio é poder criar uma audiência que busque notícias e conseguir lucrar além da publicidade tradicional", ressaltou.

Os editores astutos estão percebendo que o produto que publicam tem que estar disponível em múltiplas plataformas midiáticas e que "não pode ser apenas tinta sobre papel...ainda que a tinta sobre o papel dure por algum tempo".

Os grupos da imprensa são obrigados a economizar e a buscar novas formas para gerar renda. Muitos como o 'International Herald Tribune', 'Wall Street Journal' e o 'Boston Globe' lançaram cadernos de 'luxo' e 'moda' para atrair anunciantes de grande porte e dessa maneira elevar suas arrecadações.

Para compensar, o 'The New York Times' que perdeu 9% de seu lucro publicitário no primeiro trimestre, buscará compensar as perdas reduzindo sua equipe, segundo a imprensa. Por outro lado, o grupo 'Tribune' decidiu vender a menina de seus olhos, o 'Newsday', o décimo-primeiro jornal mais lido nos Estados Unidos.

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