Instrutor de mergulho afirma que pousada Sankay tinha lotação máxima

Flávio Campos é instrutor de mergulho e trabalha em parceria com a empresa Ocean, que tinha base de operações na pousada Sankay, em Ilha Grande. Na manhã desta sexta-feira, ele recebeu, de um aluno para o qual indicou a pousada como base para um mergulho, a notícia da tragédia.

Beatriz Amorim e Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

A pousada, segundo Flávio, era um dos ambientes mais sofisticados de Ilha Grande, O preço dos quartos variava entre R$ 235 e R$ 490 por dia. Flávio disse conhecer bem os donos do estabelecimento, mas afirmou que ainda não conseguiu contato com eles, pois estão voltando de viagem ao exterior. Lembrou que os alunos indicados não se hospedariam no local, mas o usariam como base para saída do passeio de barco para mergulho.

"Falei com a Cheila Brito (recepcionista). Formei agora dois alunos que indiquei para fazerem o primeiro passeio independente usando a Sankay como base.  Eu trabalho em parceria com uma empresa de mergulho chamada Ocean, que tem duas bases: uma no continente, na ponta Leste, e outra na Sankay. Eles indo para Ilha Grande, não se hospedariam, mas iam sair de barco de lá. Nesta sexta me ligou esse cliente dizendo que acabaram adiando a ida para o dia 1 e quando ligaram a TV é que ficaram sabendo".

O instrutor mora no Rio, onde passou o réveillon, e já tentou contato nesta sexta-feira também com o gerente de operações na Ocean. "Na quinta eu liguei para avisar que meus alunos usariam a pousada e hoje conversaria diretamente com o gerente de mergulho. Mas não consegui contato com nenhum dos funcionários. Trabalho com o pessoal de Angra há uns oito anos, a minha empresa tem dez. A gente teve um réveillon ótimo no Rio, apesar das previsões de chuva. E acordar sabendo que parceiros de trabalho podem ter se machucado feio, é muito complicado", lamentou o mergulhador.

Flávio contou nunca ter visto nada conhecido na área da tragédia e que era um local de alto luxo na região. "Nunca vi nada parecido por lá. Na enseada não tem nenhum desmatamento, é uma área bem preservada. Foi o acaso mesmo. Estamos esperando sair nome, mas sabemos que vai demorar.  Soube pela recepcionista que a pousada estava na capacidade máxima.  Eles tinham um perfil bem mais de qualidade do que de quantidade de quartos. A capacidade era de mais ou menos cinquenta pessoas. Era poucos quartos, mas bem trabalhados. Era uma das mais sofisticadas de Ilha Grande".

O aluno de Flávio Campos tem o mesmo nome: Flávio Abdenur, de 35 anos, professor universitário de matemática, não foi para a Sankay por falta de quartos disponíveis. "Eu e minha namorada queríamos mergulhar lá. Um dos lugares que me interessou muito foi a Sankay e cheguei a ligar mas, para a minha sorte, não tinha mais lugar para o período que queríamos. Então reservei em uma outra pousada. Estaria indo nesta sexta.  Até pensei em passar o réveillon lá, mas a minha namorada é estrangeira e para ela vale muito a pena passar no Rio e ver os fogos. A gente iria mesmo no dia 1 e a prioridade era a Sankay, mas como não havia vaga, arrumei outra. Liguei há duas semanas, era para reservar de 1 a 5, e só tinham nos dias 4 e 5, aí não quis", contou o aluno de mergulho.

    Leia tudo sobre: angra dos reischuvasilha grandereveillontragédia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG