BRASÍLIA - A Polícia Federal cumpriu na tarde de segunda-feira mais cinco mandados de busca e apreensão na Operação Caixa de Pandora, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), seu vice, Paulo Octávio (DEM), além de deputados distritais e empresários. Entre os locais das buscas, está a sede do Instituto Fraterna, associação civil presidida pela primeira-dama do Distrito Federal, Flavia Péres Arruda.


Os mandados, os primeiros expedidos desde a eclosão da investigação, no dia 27 de novembro, foram solicitados pelo Ministério Público Federal e autorizados pelo presidente do inquérito, o ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal determinou sigilo nas ações.

Além da sede do Instituto Fraterna, as buscas, segundo a reportagem do iG apurou, ocorreram na casa do ex-assessor da secretaria de Educação do Distrito Federal, Gibrail Gebrim, no Lago Sul; na sede de uma empresa de turismo onde trabalha a mulher dele, Evelyne Gebrim; na secretaria de Educação e na Associação dos Amigos de Arruda.

Gibrail Gebrim é acusado pelo pivô do escândalo, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, de receber propina do suposto esquema de corrupção. Em 2005, a CPI da Educação da Câmara Distrital pediu seu indiciamento pelos crimes de improbidade administrativa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, prevaricação, entre outros.

Em novos depoimentos de Durval Barbosa, antecipados pelo iG com exclusividade, o ex-secretário conta que 10% do dinheiro da propina seriam usados para pagar as contas do Fraterna, instituto comandado por Flávia Péres Arruda, mulher do governador José Roberto Arruda. A defesa do governador considerou as acusações infundadas, irresponsáveis e caluniosas.

A Associação Amigos de Arruda, escritório político de apoio ao governador localizado na Asa Sul, também foi alvo do mandado de busca e apreensão pelos federais. Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal no dia 3 deste mês, Durval Barbosa diz que 10% de dinheiro ilícito, desviado de empresas que mantinham contrato com o governo do Distrito Federal, foram destinados à associação.

As buscas, realizadas na Asa Sul, Asa Norte e Lago Sul, em Brasília, foram realizadas por policiais do Departamento de Inteligência da PF e foram acompanhadas por procuradores. Todo o material recolhido será examinado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal.

Operação Caixa de Pandora

No dia 27 de novembro, a Polícia Federal realizou a Operação Caixa de Pandora com objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do governo do Distrito Federal. Foram realizadas buscas em gabinetes de parlamentares do Legislativo brasiliense, em secretarias e até mesmo na residência do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).

Segundo denúncias do ex-secretário Durval Barbosa ao Ministério Público Federal, Arruda montou uma estrutura para arrecadar dinheiro de empresas fornecedoras de seu governo. A estrutura teria sido concebida pelo próprio Arruda por meio de uma planilha. Ele nega as acusações.

De acordo com a Polícia Federal, foram apreendidos durante a operação, cerca de R$ 700 mil, US$ 30 mil e 5 mil euros, além de computadores, mídias e documentos. Os 29 mandados de busca e apreensão foram realizados em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.

*Com reportagem de Lucas Ferraz, Matheus Leitão e Gustavo Gantois

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