Instituições em SP estudam células-tronco para tratar coração e rins

O tratorista Ezequiel recebeu na terça-feira uma infusão de suas próprias células-tronco por meio de um cateter preparado para chegar ao coração pela artéria coronária, no Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) de São José do Rio Preto (SP). Ele sofre de uma forma avançada de doença, “uma coisa que faz o coração ficar mole”, como ele define o mal de Chagas.

Agência Estado |

As células-tronco aplicadas podem melhorar o quadro ruim de sua saúde.

O procedimento está incorporado à rotina da entidade privada desde abril de 2005. A instituição mantém pesquisa científica na área de células-tronco com recursos próprios e em parceria com o Ministério da Saúde. O IMC trata de 112 pacientes, um número alto de homens e mulheres, todos portadores de miocardiopatias - moléstias que provocam a dilatação do coração ou, ainda, as isquemias.

Os casos estão separados em dois grupos. Um, de 24 pacientes, incluídos no programa oficial do governo, de acordo com o protocolo que fixa as condições de triagem, entre as quais a constatação de que todos os recursos terapêuticos foram esgotados, só restando a opção experimental das células-tronco. E outro, de 88 doentes, “selecionados e assumidos pelo IMC entre cerca de mil casos”, segundo o médico Oswaldo Grecco, diretor da instituição e responsável pelas atividades de terapia celular. “O sujeito chega aqui e pede o tratamento. Está no limite das normas do ministério e já tentou de tudo. Atendemos.”

O processo, segundo Grecco, é linear: as células-tronco infundidas “aderem ao tecido do coração comprometido e gradativamente promovem a recuperação”. A demonstração é evidente nas imagens de corpo inteiro, obtidas por cintilografia, pouco após a aplicação. Para o cirurgião Balthazar Jacob, “é possível ver o fluxo de células-tronco aderindo ao tecido, embora o restante do material seja captado depois pelo fígado e pelo baço”. O especialista considera que as células-tronco mononucleares “são atraídas pelas zonas inflamadas”.

Rim do rato

Perto do IMC, outra organização privada, a Braile Biomédica, realiza operada em conjunto com a Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), uma pesquisa com cinco ratinhos de laboratório. Dois dos animais, nos quais foi provocada insuficiência renal e nos quais foram realizados transplantes de células-tronco colhidas da medula óssea, “surgiu um tecido com características de rim primitivo - resta saber se ele crescerá como tal e se será funcional”, sustenta o urologista Mário Abbud Filho, diretor do Departamento de Nefrologia e chefe do Serviço de Transplantes Renais da Famerp.

Na fase seguinte, o time da bióloga Ana Paula Oliveira terá pela frente um ciclo de três meses - termina em abril - para definir o momento em que o tecido que, afirma, “tem aspecto sugestivo de um rim”, começa a se formar. A melhor aposta é a que indica um espaço entre 45 dias e três meses.

AE

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