Inspetor da Polícia Civil nega ter torturado jornalistas no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ O inspetor de Polícia Civil, Odinei Fernandes da Silva, negou o envolvimento com as milícias e negou ainda ter comandado a tortura a uma equipe de reportagem do jornal ¿O Dia¿, disse o advogado do policial, André Gomes. Depois de permanecer 14 dias foragido, Odinei se apresentou nesta segunda-feira à Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (DRACO), na zona Portuária do Rio, acompanhado do advogado.

Redação com Agência Estado |

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    - Meu cliente não pode ter sido reconhecido por fotografias porque as pessoas que se dizem torturadas por ele disseram que seus agressores usavam capuz ninja. Além disso, não há nenhum laudo atestando a tortura - afirmou o advogado, referindo-se ao fato de a equipe de jornalistas não ter feito exame de corpo de delito.

    De acordo com o advogado, o inspetor seria vítima de represália por conta de denúncias que fez sobre corrupção na Polícia Civil. O advogado disse ainda que Odinei Silva não se apresentou antes por problemas de saúde e porque um sobrinho dele de quatro anos morreu há pouco tempo. Segundo o advogado, no dia da tortura, o inspetor estava em uma festa na favela do Catiri e saiu por volta das cinco da manhã.

    A polícia confirmou que os jornalistas reconheceram Odinei pelo porte físico e por causa da voz. O inspetor prestou depoimento durante cerca de três horas e foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de corpo de delito. Ele será encaminhado para a Polinter, que o levará para o presídio de Bangu 8.

    Tortura

    Odinei Fernandes da Silva é acusado de ser o chefe da milícia na favela do Batan, em Realengo, zona Oeste do Rio, onde uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" foi torturada no mês passado. A equipe de reportagem, integrada por uma jornalista, um fotógrafo e o motorista, passou 14 dias na comunidade para preparar uma reportagem sobre como é a vida numa região controlada pela milícia.

    Os três estavam vivendo em uma casa alugada na favela Batan e foram denunciados às lideranças da milícia que controla o local. Segundo relatos do jornal "O Dia", no dia 14 de maio, o fotógrafo e o motorista foram surpreendidos por dez homens, armados e com máscaras, quando chegavam ao Largo do Chuveirão para tomar cerveja a convite de moradores locais. O grupo, então, foi buscar a repórter, que estava em casa. Eles foram mantidos em cárcere privado por sete horas e meia, período em que foram agredidos com socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico e roleta russa.

    Ameaças

    Os criminosos ameaçaram matar os reféns, mas os liberaram após a promessa de que não denunciariam as agressões. Segundo o relato feito pelas vítimas, havia policiais no cativeiro, que em determinado momento chegou a ter mais de 20 pessoas, entre agressores e espectadores.

    A ação das milícias em favelas do Rio é hoje uma das principais preocupações da Secretaria de Segurança Pública, uma vez que há indícios de que grande parte é comandada por militares. Em declarações dadas no fim de fevereiro, o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, informou que havia 115 investigações sobre o tema em curso. Na ocasião, ele classificou a atuação de policiais nas milícias como "desvio de conduta muito sério".

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