Inquérito do caso Isabella chega ao Fórum de Santana

Os delegados responsáveis pelo caso da menina Isabella Nardoni, assassinada no dia 29 de março, após ser atirada do 6º andar do edifício London, zona Norte de São Paulo, entregaram, nesta quarta-feira, o inquérito do caso no Fórum de Santana.

Redação |

O inquérito foi entregue por dois policiais do 9º DP, em carro do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Agora, a promotoria irá analisar o caso e, a partir daí, tem 15 dias para apresentar denúncia à Justiça contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, principais suspeitos pelo crime.

O promotor que acompanha o caso, Francisco Cembranelli, disse que irá analisar o inquérito durante o feriado prolongado e que na próxima segunda-feira, daria um parecer final.

Morte da menina completou um mês ontem
Anteriormente Cembranelli já havia dito que iria pedir a prisão preventiva do casal, o que pode ser feito também pelos delegados.  

Nos últimos dois dias, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, ambos no 9º DP, distrito que investiga o caso, ficaram analisando todo o processo e resumiram, em cerca de 20 páginas, os 64 depoimentos, 950 páginas do inquérito policial e 100 páginas de laudos periciais.

Principais suspeitos

Peritos informaram que o tempo declarado por Alexandre para subir com Isabella da garagem do edifício, deixá-la no quarto e voltar para pegar Anna e os outros dois filhos seria insuficiente para que uma terceira pessoa entrasse no apartamento, assassinasse a menina e a jogasse pela janela. Além disso, foram encontrados, na camisa que Alexandre usava na noite do crime, vestígios da tela de proteção que foi cortada para jogar Isabella.

Reprodução
Pai e madrasta são suspeitos pela morte
Os advogados do casal, no entanto, contestam as provas obtidas pela polícia e dizem que farão uma perícia paralela para provar a fragilidade das acusações.  Um dos advogados, Marco Polo Levorin, afirma que tem como provar que uma terceira pessoa entrou no apartamento. Os laudos são favoráveis, disse. Há muitos fatores e informações que ainda não vazaram para a imprensa e ajudam a provar a inocência do casal. Falaremos no momento apropriado. Posso dizer que os laudos apresentam aspectos importantes para a defesa, e o conjunto probatório é frágil, completou.

Dados conflitantes

Além disso, duas incertezas com relação à perícia deixam a defesa mais confortável para questionar os laudos. O delegado do caso, Calixto Calil Filho, em interrogatório ao suspeito, no dia 18 de abril, usou a informação de que haveria mancha de vômito na camisa dele e que esse vômito seria de Isabella. Os laudos, porém, não podem afirmar com certeza que aquela mancha, encontrada na bermuda e não na camiseta, amarelada era vômito. Em depoimento, Alexandre disse desconhecer a informação. 

Outra contradição é com relação ao sangue encontrado no carro. Por ter sido encontrada uma pequena quantidade não foi possível afirmar que o sangue era de Isabella. Para o promotor do caso, Francisco Cembranelli, há outras maneiras de provar que o sangue era sim de Isabella. Uma delas é a própria disposição, fornecida pelo casal, da família dentro do Ford Ka da família.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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