Inquérito aponta que primo do relator do caso Arruda no DEM recebeu suposta propina

José Thomaz Nono, o relator que vai decidir se o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, será ou não expulso do DEM, tem um primo diretor de um dos órgãos do GDF (Governo do Distrito Federal) citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora. Carlos Eduardo Bastos Nonô recebeu recursos do suposto esquema de corrupção, segundo depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal de Durval Barbosa, um dos pivôs do escândalo que atingiu a cúpula do DF.

Matheus Leitão e Lucas Ferraz, iG Brasília |

Carlos Eduardo Bastos Nonô foi diretor de educação tecnológica da Codeplan (Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal) na mesma época em que Durval era seu presidente. Agora, é assessor da presidência. Em interceptação gravada em outubro pela Polícia Federal, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, Durval Barbosa conversa com José Roberto Arruda sobre a partilha de suposta propina para diversas pessoas, ente elas o primo de José Thomaz Nonô.

O Toledo resolveu o casos desses... dos meninos aí, que eu acho que é louvável, que é o Achiles e o Nonô. Tá?, diz Durval. Quem, pergunta o governador, no que o interlocutor explica: Michiles você sabe quem é. Nonô é o... foi diretor lá. Tá? Que situação de penúria, completa.  Michiles vem a ser Carlos José de Oliveira Michiles, que já foi responsável pela diretoria de tecnologia à época de Carlos Eduardo e Durval. Não há no inquérito, no entanto, a descrição dos supostos valores recebidos por eles.

De acordo com policiais envolvidos na investigação da Caixa de Pandora, há dezenas de pessoas físicas e empresas citadas nas transcrições dos vídeos e nas próprias gravações realizadas por Durval Barbosa. A eventual participação no esquema de corrupção está sendo apurado pela PF.

José Thomaz Nonô, surpreso com o suposto envolvimento do primo no esquema, confirma o grau de parentesco, mas diz não haver problema ou impedimento algum em relatar o caso. Isso não me interessa em nada. Isso [o fato de ser parente] não faz a mínima diferença. Vou julgar o governador Arruda, se ele vai ou não permanecer no partido, afirma. Nonô afirma que tem uns seis anos que não vê o primo, pessoa que ele diz não ter nenhuma convivência. 

Carlos Eduardo, o primo de José Thomaz Nonô, foi condenado no ano passado, junto com Durval e mais três pessoas, a ressarcir os cofres da Codeplan em mais de R$ 2,6 milhões, além de multa equivalente ao dobro dessa quantia, por improbidade administrativa. Carlos Eduardo Bastos Nonô não respondeu às insistentes ligações da reportagem do iG durante toda a tarde desta quarta-feira. A assessoria da Codeplan disse que quando ele fosse localizado, entraria em contato com o iG. 

Escândalo no Distrito Federal

Entenda

Inquérito da PF

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