Inimigo número 1 da ditadura, Carlos Marighella é homenageado em São Paulo

Após 40 anos de sua morte, o guerrilheiro de esquerda e baiano Carlos Marighella recebeu o título de Cidadão Paulistano ¿in memoriam¿, em cerimônia na Câmara Municipal de São Paulo, na noite de quarta-feira.

Silvia Luisa Rodrigues da Cunha, iG São Paulo |

Reprodução
Carlos Marighella (arquivo)

Carlos Marighella (arquivo)

Marighella, que foi assassinado em uma emboscada pelos agentes da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, em 4 de novembro de 1969, em São Paulo, foi reconhecido como herói em sessão solene.

O literário e professor Antônio Cândido, 91 anos, subiu na tribuna e fez um breve discurso sobre a importância da luta do guerrilheiro. Marighella deixou de representar a liderança deste ou daquele grupo para se tornar a imagem de um brasileiro que transcendeu as contingências e é herói da nossa história", afirmou.

A viúva de Marighella e perseguida política, Clara Charf, de 84 anos, emocionou-se ao falar sobre os tempos de clandestinidade e das lutas pelos ideais do companheiro. Quando ainda nem se falava em feminismo, Marighella já defendia os direitos iguais entre homens e mulheres, disse. Ele merece não só o título de cidadão paulistano, mas também de cidadão do Brasil e do mundo, desabafou. 

Na mesa da cerimônia, estavam o chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o ex-presidente do PT José Dirceu, o literário Antônio Cândido, ex-guerrilheiros comunistas, representantes do governo de Cuba, da Bolívia e líderes de movimentos sociais do País. O título concedido a Marighella foi aprovado sem resistência, por unanimidade, nas comissões e no plenário da Casa.

O filho de Marighella, Carlos Augusto Marighella, e a neta, Maria Marighella, que moram em Salvador, também estavam presentes na solenidade.

A homenagem na Câmara de São Paulo não é a única. O guerrilheiro também foi lembrado na Bahia, no ato "Marighella Vive", com a presença do ministro da Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi.

No próximo sábado, às 11h, será aberta a exposição Marighella, no Memorial da Resistência em São Paulo, antigo prédio do DOPS. A mostra vai de 8 de novembro a 25 de abril de 2010, com entrada gratuita de terça a domingo.

Vida política

Carlos Marighella nasceu em Salvador, na Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Sua primeira prisão ocorreu em 1932, quando militante do Partido Comunista, escreveu um poema com críticas ao interventor no Estado, Juracy Magalhães.  

Em 1936, quando atuava no Partido Comunista, no Rio de Janeiro, foi preso novamente e barbaramente torturado pela polícia de Filinto Müller.

Mais tarde, em São Paulo, Marighella passou a reorganizar os revolucionários comunistas atingidos pela repressão imposta por Getúlio Vargas. Em 1939, foi torturado na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo. Ficou preso em Fernando de Noronha e Ilha Grande pelos seis anos seguintes.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do País e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Elegeu-se deputado federal, mas em 1948 teve o mandato cassado por Dutra e passou a viver na clandestinidade, condição em que ficaria até o fim da sua vida.

O líder comunista foi o fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), que pregava a idéia da luta armada como saída para a derrubada na ditadura militar no Brasil. 

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