Londres, 4 dez (EFE).- Um paleontólogo da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, descobriu que o maior pterossauro do qual se tem notícia até agora viveu no Brasil há 115 milhões de anos, segundo publicou a edição de novembro da revista Palaeontology.

O descobrimento foi feito a partir do fóssil de uma parte do crânio de um "chaoyangopteridae", uma espécie que só tinha sido achada na região chinesa de Chaoyang e que se considerava que não tinha alcançado uma altura superior aos 60 centímetros.

O professor Mark Witton, da Universidade de Portsmouth, explicou em sua pesquisa que o achado corresponde a um pterossauro que voou sobre o nordeste brasileiro e que teve uma altura de um metro e uma envergadura de cinco metros.

"Para dizer de maneira simples, isto transforma em anões os chaoyagopteridae que conhecemos até agora", afirmou Witton, que batizou a nova espécie de Lacusovagus (morador do lago), por causa do lugar onde o fóssil foi encontrado.

O lago faz parte da bacia do Araripe, que os paleontólogos consideram um dos lugares mais ricos em fósseis do mundo e de onde saiu há anos este exemplar, que esteve exposto durante vários anos em um museu da Alemanha.

Witton o estudou e constatou que o Lacusovagus tinha um crânio de proporções largas, o que evidencia "que seus hábitos alimentares incluíram animais de tamanho médio".

O paleontólogo afirmou que o estudo segue em aberto e ressaltou que a descoberta da espécie no Brasil, tão longe de seus parentes mais próximos na China, demonstra o "pouco que realmente sabemos sobre a história da evolução e o local onde vivia este grupo de criaturas".

Os pterossauros (lagartos alados) existiram durante quase toda a era Mesozóica (há entre 228 e 65 milhões de anos).

A Paleontologia os descreve como os primeiros vertebrados que conquistaram o ar, graças a asas formadas por uma complexa membrana sustentada por um quarto dedo hipertrofiado nas mãos.

O corpo dos pterossauros estava coberto de pêlo, segundo os fósseis achados até agora de pelo menos três espécies distintas.

Estes restos são muito comuns e foram achadas centenas de espécies, pertencentes a oito gêneros diferentes na África, Ásia, Austrália, Europa, América do Norte e América do Sul.

Não são aves, nem dinossauros, embora tenham convivido com eles durante dezenas de milhões de anos. EFE fpb/ab/plc

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