Inflação segue em alta, analistas elevam estimativas

Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - Os primeiros índices de preços de novembro vieram com variações salgadas, mostrando que a inflação no país segue sem sinais de desaceleração. Na esteira dos dados, analistas revisaram para cima suas projeções para os indicadores de 2008 e 2009, uma notícia ruim para o Banco Central.

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O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou na primeira leitura do mês uma alta de 0,80 por cento, ante valorização de 0,55 por cento no mesmo período de outubro.

Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve uma variação positiva de 0,58 por cento, a maior taxa registrada desde a terceira semana de julho, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo cálculo dos dois indicadores.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já havia informado que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas de inflação, acumulou nos últimos 12 meses até outubro, uma alta de 6,41 por cento, muito próximo do teto da meta definida pelo governo.

Diante da deterioração do cenário inflacionário, analistas consultados pelo BC elevaram suas estimativas para o comportamento do IPCA em 2008 e 2009, o que pode ser mais um elemento complicador para o trabalho do Banco Central de ancorar as expectativas inflacionárias do mercado.

De acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira, analistas apostam que o IPCA fechará o ano com alta de 6,40 por cento, acima dos 6,31 por cento estimados no levantamento anterior.

Para 2009, a projeção foi elevada para 5,20 por cento, ante estimativa de 5,06 por cento na pesquisa passada.

O governo fixou para 2008, 2009 e 2010 uma meta de inflação de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Se a inflação ultrapassar o teto da meta, de 6,5 por cento, o presidente do BC, Henrique Meirelles, terá que encaminhar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicando as razões que levaram ao descumprimento da meta e as medidas que serão adotadas para trazer os preços de volta à trajetória das metas.

SUBINDO JURO?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sempre deixou claro que a ancoragem das expectativas inflacionárias do mercado é um dos elementos-chave da política monetária brasileira.

Nas atas de suas reuniões, o comitê sempre destaca que a materialização de repasses de preços mais altos no atacado para o varejo, assim como a generalização de pressões localizadas, dependem "de forma crítica" das expectativas de inflação dos agentes econômicos.

Na reunião de outubro, o Copom decidiu, por unanimidade, interromper o ciclo de aperto do juro iniciado em abril, mantendo a taxa Selic em 13,75 por cento ao ano. Mas deixou claro que o juro pode ser elevado novamente, caso os índices de preços não voltem ao patamar desejado.

O avanço do IGP-M na abertura de novembro foi influenciado pela forte alta dos preços no atacado, que tiveram variação de 1,01 por cento. Os preços ao consumidor também registraram um comportamento pior na abertura do mês, com alta de 0,22 por cento, ante queda de 0,08 por cento no mesmo período de outubro.

Na pesquisa feita pelo BC, analistas mantiveram a aposta que a Selic será mantida em 13,75 por cento na reunião do Copom de dezembro. Para 2009, entretanto, os economistas consultados estimam que a taxa estará em 13,25 por cento em dezembro daquele ano, levemente abaixo dos 13,38 por cento projetados no levantamento anterior.

Em termos de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), os analistas seguem apostando num crescimento de 5,23 por cento este ano e de 3 por cento em 2009.

(Edição de Alberto Alerigi Jr.)

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