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Inflação oficial do país acelera a 0,48% em janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação brasileira acelerou em janeiro, reflexo de um aumento dos preços de boa parte dos produtos e serviços no país, mas o resultado ainda ficou melhor do que o verificado no mesmo período de 2008, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira.

Reuters |

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas de inflação do Banco Central, subiu 0,48 por cento em janeiro, superando a alta de 0,28 por cento de dezembro do ano passado e a mediana das projeções de analistas de mercado.

"Foi um janeiro fortinho, mas diferente do ano passado, quando todos os alimentos subiam", afirmou a economista Eulina Nunes dos Santos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo.

Em janeiro de 2008, o IPCA havia subido 0,54 por cento, puxado por uma alta generalizada dos preços dos alimentos que ainda sofriam grande impacto da forte demanda internacional.

Apesar de oito dos nove grupos que compõem o IPCA terem apresentado aceleração em suas taxas de variação entre dezembro e janeiro, a economista do IBGE afirmou que o movimento não configurou uma alta generalizada de preços.

"Apesar de apenas o grupo Vestuário ter recuado, a alta não pode ser chamada de generalizada. Dentro de cada grupo há como identificar e localizar cada alta, não foi um processo em bloco", afirmou a economista.

A alta do IPCA em janeiro foi a mais forte desde julho do ano passado, quando o índice subiu 0,53 por cento, e o reajuste dos preços dos alimentos acabou respondendo por 0,17 ponto percentual da variação total do IPCA no período.

"Houve um problema de estiagem no Paraná que afetou no fim do ano a produção de feijão e também pressões de hortifrutigranjeiros que sobem normalmente no começo de cada ano", justificou a economista do IBGE.

Outro fator que contribuiu para a aceleração da inflação em janeiro foi o reajuste das tarifas de ônibus urbanos, em 3,24 por cento, e dos intermunicipais, em 2,92 por cento.

Segundo o IBGE, as tarifas subiram em seis capitais: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Belém, Salvador e Curitiba.

DENTRO DA META

O Banco Central tem como objetivo manter a inflação dentro da meta estabelecida para o ano, que é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Em 2008 como um todo, o IPCA acumulou um avanço de 5,90 por cento. Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, essa variação caiu para 5,84 por cento, mantendo a trajetória de desaceleração iniciada em novembro do ano passado, para este tipo de comparação.

"Foi um janeiro um pouco menor. No primeiro semestre de 2008 os índices foram mais altos por conta da pressão dos alimentos. O cenário mundial ainda era de forte demanda", explicou Eulina.

A desaceleração da atividade econômica e da inflação garantiram ao Comitê de Política Monetária (Copom) o espaço necessário para cortar a taxa básica de juro do país em 1 ponto percentual, para 12,75 por cento, em janeiro, o primeiro corte desde setembro de 2007 e o mais forte desde o final de 2003.

Outro destaque do IPCA em janeiro foi uma intensificação do impacto do dólar sobre os preços ao consumidor, segundo análise do IBGE.

Segundo o instituto, essa pressão pode ser identificada especialmente nos eletrodomésticos e remédios, reflexo de insumos dolarizados mais caros.

Para a economista do IBGE, por enquanto esses são os únicos impactos visíveis da alta do dólar sobre os preços ao consumidor brasileiro após o agravamento da crise finaceira mundial em meados de setembro do ano passado.

A expectativa do IBGE é que o IPCA em fevereiro será pressionado pelo reajuste das mensalidades escolares, aumentos dos ônibus urbanos e dos custos de acesso à Internet.

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