Anualmente, 220 mil pessoas morrem da doença enquanto acidentes entre veículos mataram 34.597 em 2008

Os dados são da última estatística disponível no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A comparação foi feita pela Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro (Sotierj), que pela primeira vez promove um congresso dedicado ao tema. O encontro termina amanhã.

"O assunto preocupa porque há uma deficiência muito grande no ensino da medicina", disse Moyzes Damasceno, coordenador de terapia intensiva do Hospital de Clínicas de Niterói e presidente da Sotierj, que critica a formação oferecida pelas faculdades. "A terapia intensiva, especialidade dos médicos que atuam em UTIs, não faz parte da grade curricular das faculdades de medicina."

Pesquisa do Instituto Latino-Americano da Sepse (Ilas), realizada com 917 médicos de 21 hospitais brasileiros, mostrou que apenas 27% sabem reconhecer a doença, provocada por uma reação do organismo a uma infecção - as toxinas liberadas pelo sistema imunológico para combater bactérias ou vírus são tão potentes que acabam atacando também órgãos vitais como rins, coração, pulmão e cérebro.

Desde 2005, o Ilas encabeça no Brasil a campanha mundial Sobrevivendo à Sepse. Faz parte do trabalho arregimentar centros médicos, que têm seus funcionários treinados e passam a abastecer o Ilas com dados sobre a doença. Segundo o último relatório da instituição, de abril, 48,7% dos pacientes com sepse grave e 65,5% dos com choque séptico morrem no Brasil. No mundo, essas taxas estão em 23,9% e 37,4%, respectivamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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