Indústria nos EUA estimula uso não-liberado de remédios

Um estudo divulgado ontem na revista científica Public Library of Science Medicinehttp://www.plosmedicine.

Agência Estado |

org" target=_blank (PLoS) apresenta técnicas utilizadas por indústrias farmacêuticas nos Estados Unidos para promover o uso de remédios para fins diferentes dos que justificaram sua autorização pelas agências de vigilância sanitária, prática conhecida no jargão médico como uso off-label de medicamentos. Em geral, os médicos têm liberdade para prescrever o uso off-label. As empresas farmacêuticas, no entanto, só podem promover seus produtos para os fins aprovados pelas agências.

Segundo o trabalho, as empresas estimulam pesquisas clínicas que comprovariam a eficácia da droga para usos alternativos. Depois, influenciam o discurso, em congressos, dos “formadores de opinião” - médicos de prestígio que dão credibilidade aos resultados obtidos, pois não são funcionários diretos das empresas. Também financiam a publicação de “separatas de artigos científicos”, coletâneas que só trazem dados positivos sobre o uso off-label.

A pesquisadora da Universidade Georgetown, Adriane Fugh-Berman, principal autora do artigo, afirmou que, muitas vezes, o uso off-label é “necessário ou desejável”, principalmente quando não há alternativas terapêuticas aprovadas para a doença ou para a população que necessita do tratamento (por exemplo, crianças, idosos ou gestantes). Para que o uso off-label seja considerado ético, Adriane aponta que as indústrias não deveriam exercer qualquer influência sobre a formação médica.

O presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, aponta que o País sofre com o excesso de faculdades de medicina e a falta de profissionais qualificados para lecionar. “Nesse contexto, ‘propagandistas’ assumem o lugar dos professores”, afirma Lopes. “Os alunos não aprendem a diferenciar estudos confiáveis de publicidade.”

Independência

O secretário executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), José Ruben Bonfim, concorda. “Os médicos devem se habituar a consultar os boletins farmacológicos independentes e os sites das agências internacionais de vigilância. Não podem depender apenas das informações da indústria”, aponta Bonfim. Para Dominique Levêque, da Universidade de Estrasburgo (França), os governos devem oferecer benefícios para as empresas que investem em pesquisas para ampliação do uso autorizado dos seus remédios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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