Indústria do luxo perde brilho na crise

A indústria do luxo não foi poupada dos efeitos devastadores da crise econômica mundial, com queda nas vendas, cortes de empregos e adiamento na abertura de novas lojas, superando inclusive as projeções mais pessimistas.

AFP |

Este cenário será marcado, segundo as previsões, pela publicação no dia 5 de fevereiro, dos resultados anuais de Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), líder mundial do luxo.

Apesar de a empresa ter anunciado no Brasil um aumento de 14% no faturamento na divisão de perfumes e cosméticos de 2008, na comparação com 2007, e esperar um crescimento 10% para 2009, os analistas europeus esperam praticamente uma estagnação de suas vendas em 2008.

A indústria do luxo vinha confiando que não seria afetada pela turbulência global devido ao alto poder aquisitivo de seus clientes.

No entanto, após muitos anos de desenvolvimento ininterrupto, a atividade dos fabricantes de cosméticos e perfumes, de estilistas de alta costura e joalheiros vem sofrendo desde os primeiros meses do ano passado um claro desaquecimento que vai chegar a uma recessão em 2009, segundo Marc-André Kamel, sócio do gabinete Bain & Company.

"Podemos esperar uma chuva de más notícias em termos de consumo no mercado de luxo", confirmou Shamina Bhaidjy, da Natixies Securities.

Por exemplo, as vendas de relojoaria cairão mais de 25%", afetando "sobretudo as linhas de médio e alto luxo", segundo a casa Raymond James.

Em seu conjunto, o mercado mundial do luxo deve cair, segundo Bain, entre 5% e 10% em 2009, se as taxas de câmbio se mantiveram constantes, mais do que a margem de 3% e 7% anunciada inicialmente.

As más previsões já estão se confirmando: os produtores de champanhe anunciaram uma queda de suas vendas de 6% nos 11 primeiros meses de 2008, a marca de joalheria Cartier decretou três meses de desemprego temporário para 180 assalariados e a Chanel prevê cortes de postos de trabalho.

O britânico Burberry cortará 540 empregos e as grandes lojas de luxo americanas Saks, 1.100 empregos. A Tiffany reduzirá também seu pessoal.

Até o britânico Bentley (grupo Volkswagen), cujos carros podem custar até 260.000 euros, interromperá sua produção durante seis ou sete semanas.

O último anúncio, o do suíço Richemont, número dois mundial do luxo, que registrou uma queda de 12% de suas vendas, caiu como um balde de água fria.

"Não esperávamos uma desaceleração tão generalizada, em todos os ramos de atividade e em todas as regiões", disseram os analistas do Deutsche Bank.

A Richemont reduzirá sua produção e desacelerará o ritmo de novas aberturas de lojas para enfrentar a época de vacas magras.

A contração da atividade do setor é "mais pronunciada" que a registrada no começo dos anos 2000, explicou Kamel.

Primeiramente porque muitos grupos quiseram "democratizar" seus produtos, indicou uma analista parisiense sob anonimato: para ampliar sua clientela, alguns vendem agora a preços mais acessíveis.

Com a crise, o consumidor médio deixou de comprar produtos de alto luxo como os vendidos por "Coach ou Hugo Boss", segundo Kamel.

A forte desaceleração dos pedidos dos distribuidores e grandes lojas, dois canais importantes para o setor também pesou. "Estas lojas são agora extraordinariamente prudentes em suas compras", afirmou o especialista.

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