RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira amargou em novembro a queda mais acentuada da produção em mais de 13 anos, refletindo a forte retração na fabricação de automóveis, máquinas e outros produtos, mostraram dados divulgados nesta terça-feira. De acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção das fábricas instaladas no país em novembro ficou 5,2 por cento menor do que o apurado em outubro, quando a produção já havia recuado 2,8 por cento, de acordo com dados revisados pelo IBGE.

Inicialmente, o instituto havia informado uma queda de 1,7 por cento na produção industrial de outubro.

O recuo observado na passagem de outubro para novembro foi o maior desde maio de 1995, quando a produção tinha caído 11,2 por cento, informou o IBGE.

"O principal impacto negativo veio da indústria de veículos automotores, com queda de 22,6 por cento, seguida por máquinas e equipamentos (-11,9 por cento)", informou o IBGE em comunicado.

Na comparação com o mesmo período de 2007, o quadro foi ainda pior. A produção de novembro ficou 6,2 por cento abaixo do verificado em novembro de 2007.

Essa foi a queda mais acentuada, neste tipo de comparação, desde os 6,4 por cento de retração registrados em dezembro de 2001, "evidenciando um aprofundamento do ritmo de queda da atividade e um alargamento do conjunto de segmentos com decréscimo de produção", afirmou o IBGE.

Os dados vieram bem piores do que o esperado pelo mercado. A mediana de 19 estimativas de instituições consultadas pela Reuters apontava para uma queda de 3,8 por cento da atividade em novembro sobre outubro. Na comparação anual, as projeções indicavam queda de 4,5 por cento, de acordo com a mediana e a média de 21 projeções.

Avaliando o comportamento da indústria por categorias de uso, apenas os bens de capital sustentaram um ritmo de expansão na comparação anual, com alta de 3,6 por cento. A produção de bens de consumo duráveis caiu 22,1 por cento, seguida por bens intermediários, com queda de 7,5 por cento, e bens de consumo semi e não-duráveis, com retração de 2,8 por cento.

Apesar dos fracos números, a indústria brasileira ainda acumula de janeiro a novembro um avanço de 4,7 por cento na produção. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada foi de 4,8 por cento, acrescentou o IBGE.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Texto de Renato Andrade)

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