Quatro índios estão em estado grave. Polícia suspeita de disputa entre aldeias locais. Para cacique, atentado foi feito por fazendeiros

Na madrugada de sábado (04), um ônibus que transportava 30 alunos indígenas da etnia terena foi atacado com pedras e uma bomba caseira - um coquetel molotov. Seis pessoas, incluindo o motorista, sofreram queimaduras. Cinco delas estão internadas na Santa Casa de Campo Grande (MS) e, destas, quatro estão em estado grave. O caso aconteceu no município de Miranda, a 200 quilômetros de Campo Grande.  

Miranda fica a 200 quilômetros de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul
Reprodução Google Maps
Miranda fica a 200 quilômetros de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul
Os passageiros vivem em várias aldeias espalhadas pela região. O ônibus fazia o trajeto todos os dias e, no momento em que foi atacado, voltava da aula, em direção às aldeias. A bomba atingiu a frente do ônibus. O que está em pior estado é o motorista, Laércio Corrêa, de 27 anos, que sofreu queimaduras na maior parte do corpo, incluindo a cabeça.

A motivação do ataque ainda é desconhecida. Inicialmente, a suspeita era de que a violência tivesse sido praticada por um grupo de índios, em razão de desavenças entre aldeias situadas no município.

O delegado Tiago Macedo, que investiga o caso, adiantou ainda que não existem elementos suficientes para comprovar essa possibilidade, mas que ela não está descartada. Segundo o delegado, há um histórico de conflitos entre aldeias rivais na região. Ele começou a ouvir testemunhas na manhã desta segunda-feira (06).

O cacique Adilson Terena afirmou que não acredita que o ataque tenha sido praticado por índios, pelo fato de o ônibus transportar estudantes das duas aldeias supostamente rivais – Babaçu e Argola. Adilson disse que foi encontrado um chapéu na mata próxima de onde o ônibus foi atacado, e que ele não pertence a nenhum índio. O dono do chapéu teria sido visto correndo para o matagal logo depois do ataque ao ônibus. De acordo com o cacique, a possibilidade mais plausível é de que o ataque tenha sido feito por pessoas a mando de fazendeiros - que disputam terras com os índios.

Em março deste ano, os Terena ocuparam duas fazendas em Miranda, uma delas a fazenda Petrópolis, do ex-governador de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian. A Justiça mandou a polícia tirar os índios de lá. Estima-se que seis mil índios Terena vivam em Miranda.

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