Índios pedem ao STF que não acate ação de arrozeiros

RECIFE - Num ato de protesto que marcou os dez anos do assassinato do cacique xucuru Xicão, em Pesqueira, no Agreste de Pernambuco, etnias indígenas do Maranhão, Ceará, Paraíba e Pernambuco cobraram nesta terça-feira dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a manutenção da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Se o STF acatar ação dos arrozeiros, vai haver derramamento de sangue, alertou o cacique xucuru Marcos Luidson. Isso iria representar um retrocesso e pode provocar violência, além de abrir um precedente para que outras ações sejam impetradas visando a anular outras homologações de terras indígenas no País.

Agência Estado |

Cerca de mil índios dos quatro Estados participaram de uma manifestação religiosa, na mata da Serra do Ororubá, onde o corpo de Xicão foi enterrado. Depois, eles seguiram numa caminhada de cerca de 12 quilômetros até Pesqueira, engrossada com a participação de movimentos sociais e políticos, até o local onde o cacique xucuru foi morto a tiros, à queima-roupa, quando estacionava o carro na frente da casa de um parente, no bairro Xucurus, em 20 de maio de 1998.

Xicão liderou a retomada da mobilização pelas terras indígenas invadidas por fazendeiros e recebia ameaças de morte. Os xucurus mantiveram os protestos depois da morte dele, em 2001, e tiveram a homologação de 27,56 mil hectares em Pesqueira - cerca de 27% do território do município. Eles calculam que cerca de 95% desse total estão ocupados pelos indígenas.

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