Índios mantêm 3 reféns no PR para exigir indenização

Os índios caingangues da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, mantêm reféns o antropólogo da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Alexandre Húngaro da Silva, desde ontem, e dois funcionários de empresas terceirizadas da companhia, desde quinta-feira. Os índios querem forçar uma negociação com a estatal paranaense para o pagamento de indenização pelo uso das terras da reserva, onde passam linhas de transmissão de energia.

Agência Estado |

Um dos índios da aldeia, que se identificou apenas como Valdecir, disse, por telefone, que a questão deve se resolver somente na próxima semana. "Mas está tudo tranquilo", acentuou. Questionado se os reféns poderiam ser liberados ainda neste fim de semana, ele manteve a imprecisão: "Não sei se teremos algo". Na rápida conversa, ele repetiu três vezes: "Não posso dizer muita coisa." Valdecir afirmou, no entanto, que os três reféns estão sendo bem tratados. Desde a tarde de ontem, as ligações para o telefone do antropólogo caem na caixa postal.

Os primeiros a serem retidos na aldeia foram os dois funcionários da empresa terceirizada, que não tiveram os nomes revelados. Eles faziam um trabalho de inspeção de rotina na manhã de quinta-feira e foram impedidos de sair. Na tarde de sexta-feira, o antropólogo foi tentar a liberação e também ficou retido. O trabalho de convencimento dos índios para que libertem os reféns é feito, por telefone, pela administração da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Londrina, a cerca de 70 quilômetros de São Jerônimo da Serra.

'Pressãozinha'

Os indígenas decidiram tomar os reféns depois que uma reunião entre eles, o Ministério Público Federal (MPF) em Londrina, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Copel, marcada para o dia 18, foi adiada. Como os índios não tinham sido avisados da suspensão, foram ao local e não encontraram ninguém. Temerosos de que as negociações sobre a indenização não avancem, eles partiram para o que chamam de "pressãozinha". Na tentativa de solucionar o problema, o MPF assinou um documento comunicando que a nova reunião será realizada quarta-feira. Os índios pedem R$ 3,5 milhões, mas a Copel teria oferecido R$ 1,1 milhão.

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