Índios mantêm 12 reféns em prédio da Funasa em GO

Insatisfeitos com o fim do convênio com profissionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e com as discussões sobre os rumos do atendimento médico, cerca de 150 índios do Xingu invadiram na manhã de hoje a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no município de Canarana, a 700 quilômetros de Goiânia. Doze funcionários foram feitos reféns.

Agência Estado |

Até por volta das 19h30, nenhum deles havia sido liberado.

Um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso prevê que a coordenação do atendimento, hoje sob responsabilidade da Funasa, seja transferida para uma nova secretaria a ser criada pelo ministério, a de Atenção Primária e Atenção à Saúde. Índios do Xingu são contrários a essa proposta do governo. O fator central da mobilização, porém, é a não renovação do convênio entre a Unifesp e a Funasa, para prestação de serviços de saúde em áreas da reserva.

Na carta de reivindicações, endereçada ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e para a sub-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, os índios afirmam que há tempos vêm tentando um encontro com integrantes do ministério e com a Funasa para resolver o assunto, mas sem sucesso.

Criado há 43 anos por médicos da universidade e irmãos Villas-Boas, o Projeto Xingu atende cerca de 4 mil índios. Esta será a primeira vez que o convênio não será renovado. A interrupção dos serviços é conseqüência de um decreto proibindo a assinatura de convênios com entidades que tenham como dirigentes servidores públicos federais. A alternativa proposta pelos índios seria incluir a prestação de saúde indígena no contrato já existente entre Ministério da Saúde e Unifesp. A Funasa em Brasília foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a noite de hoje.

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