Índios caingangues da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, mantém, até o início da noite de hoje, três pessoas reféns. Dois funcionários de uma empreiteira que presta serviços para a Companhia Paranaense de Energia (Copel) foram retidos na manhã de ontem e um sociólogo da estatal foi impedido de deixar a reserva quando foi negociar a liberação hoje.

Os índios pedem indenização de R$ 3,5 milhões em razão de uma linha de transmissão de energia que passa pela reserva. Segundo eles, a Copel teria oferecido R$ 1,1 milhão, valor que não os satisfez.

As negociações são intermediadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo o MPF, uma reunião estava marcada para quarta-feira passada, mas acabou adiada. No entanto, a administração regional da Funai não comunicou os índios sobre a mudança, e eles foram ao local marcado. "Houve uma falha de comunicação", afirmou Marcos da Silva Cavalheiro, que respondia hoje pela administração do órgão. Como a questão vem se arrastando há algum tempo, os índios teriam visto com desconfiança o não-comparecimento dos outros interessados. "Nós queremos negociar", disse o índio Luiz Gino.

Os trabalhadores foram retidos quando faziam uma inspeção de rotina nas linhas de transmissão. De acordo com Luiz Gino, eles são bem tratados. "Foi só para fazer uma pressãozinha", justificou. Cavalheiro disse que tentava a liberação dos reféns em contato telefônico com as lideranças. "Neste momento, preferimos não estar lá (na aldeia, a cerca de 70 quilômetros de Londrina)", afirmou. Segundo ele, o MPF enviou um documento garantindo a realização de nova reunião no dia 25 e ele espera convencer os índios com isso. A assessoria de imprensa da Funai, em Brasília, disse que um representante estará segunda-feira em São Jerônimo da Serra para ajudar no caso.

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