Índios e garimpeiros de Rondônia interrompem obras de Jirau

Manifestantes interditaram por algumas horas a BR-364, principal rodovia de Rondônia e único acesso terrestre ao Acre

AE |

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Após atear fogo em pneus e usar caminhões para fechar o principal acesso às obras da Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, cerca de 300 garimpeiros, índios, ribeirinhos e representantes de comunidades quilombolas conseguiram interromper os trabalhos na construção nesta quarta-feira de madrugada. Pela manhã, eles ainda interditaram por algumas horas a BR-364, principal rodovia de Rondônia e único acesso terrestre ao Acre.

A hidrelétrica está sendo construída próximo à BR-364, a 130 quilômetros de Porto Velho, e depois de pronta vai gerar 3.300 megawatts. A obra é executada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil. De acordo com os moradores da região, as empresas estariam pagando de R$ 300 a R$ 1 mil por hectare, uma área de cem metros quadrados (aproximadamente do tamanho de um campo de futebol). 

Cerca de 120 quilômetros rio abaixo, um outro consórcio constrói a hidrelétrica de Santo Antônio e paga R$ 3.800 pelo hectare desapropriado. O presidente da Federação Nacional dos Garimpeiros (Fenag), José Alves da Silva, disse que a "economia" que está sendo feita no pagamento das indenizações pela área atingida por Jirau estaria sendo usada em campanhas eleitorais. 

Outra denúncia é a de favorecimento na distribuição de terrenos na vila Nova Mutum Paraná, construída a 10 quilômetros do local interditado. O local deveria abrigar moradores de Mutum Paraná, distrito de Porto Velho, que ficará embaixo d'água quando a hidrelétrica começar a funcionar. Um terreno que deveria ser entregue a um comerciante local que construiu lá uma choperia. 

Castro disse que o terreno não foi dado a ele, e sim à sua esposa. "Não sei se isso é um defeito, mas não uso laranjas. Faço tudo às claras", afirmou. O diretor de Relações Institucionais da Energia Sustentável do Brasil, José Lucio de Arruda Gomes, explicou que há lotes para todos e que alguns estão sendo dados a empresários dispostos a investir em Nova Mutum Paraná, independente de serem ou não políticos. Ele disse que outros empresários receberam lotes. 

O diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Energia Sustentável, Antonio Luiz de Arruda Gomes, negou que dinheiro da Usina de Jirau esteja sendo repassado para campanha eleitoral ou a políticos de Rondônia. "É uma denúncia leviana e infundada. O presidente da Federação dos Garimpeiros deveria cuidar de sua área, e não do que estamos tratando com os produtores rurais. Na desapropriação, pagamos o valor pelo qual o imóvel foi avaliado", afirmou.

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