Índios apresentam reivindicações para deixar usina hidrelétrica

Lista de exigências abrange diversas questões sociais que serão analisadas por autoridades e pela empresa responsável pela usina

iG São Paulo |

O grupo de indígenas que ocupa desde domingo a Usina Hidrelétrica Dardanelos, em Aripuanã, em Mato Grosso, entregou nesta terça-feira uma série de reivindicações às autoridades que trabalham para a desocupação da usina, que ainda está em obras.

Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema), que participa das negociações, a maioria das reivindicações dos índios são voltadas a área social, como educação e atendimento médico. Essas exigências foram divididas em um documento e enviadas aos resposáveis pelos setores para que sejam analisadas. Os índios também pedem uma compensação financeira pelos danos ambientais causados pela obra.

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Região de Aripuanã, onde os índios fizeram reféns na usina Dardanelos

Nesta segunda-feira, cinco trabalhadores que eram mantidos reféns foram libertados. Apesar disso, a ocupação foi mantida. A ocupação começou quando cerca de 250 índios tomaram o canteiro de obras da hidrelétrica e fizeram pelo menos 100 funcionários reféns. A maioria foi libertada ainda na noite de domingo. De acordo com a Funai, os índios pediam ações de reparação porque a hidrelétrica está sendo construída em cima de um cemitério sagrado.

A Energética Águas de Pedra, grupo responsável pela obra, nega a existência do cemitério – baseada em laudos arqueológicos –, diz que o impacto ambiental da hidrelétrica será baixo e que os índios não seriam atingidos diretamente pela obra, uma vez que a aldeia mais próxima fica a 42 quilômetros de distância.

Equipados com facas e arcos, os indígenas retiveram os funcionários que trabalhavam na construção da usina e os prenderam em um alojamento. "Os índios em nenhum momento ameaçaram suas vidas. Pediram tranquilamente que fossem para seus alojamentos", disse Antonio Carlos Ferreira de Aquino, o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Aquino explicou que a empresa construtora "dinamitou" parte de um sítio arqueológico considerado sagrado pelos povos da região. "Ao longo do tempo, os índios reivindicaram uma compensação, como prevê a lei de desmobilizações (de obras públicas). Como a hidroelétrica vai começar a operar no final deste ano, perderam a paciência", disse o representante da Funai.

O gerente de Meio Ambiente da Companhia Águas da Pedra, responsável pela usina, Paulo Rogério Novaes, diz que os índios reivindicam condições sociais melhores, como acesso à educação e à saúde, melhoria das estradas de acesso às aldeias e inclusão no programa Luz para Todos. “São problemas que o Estado tem de resolver, mas eles acham que são responsabilidades da usina”, afirma o gerente da Águas da Pedra.

Segundo o gerente da usina, a hidrelétrica não funcionará com represas e seu impacto ambiental é baixo. Com isso, os índios não seriam atingidos diretamente pela obra, uma vez que a aldeia mais próxima fica a 42 quilômetros de distância. “Mas nós temos um programa de ações mitigadoras que trata de medidas de apoio social. Só que esse programa foi entregue à Funai em 2005 e até hoje não obtivemos resposta. Queremos fazer alguma coisa, mas estamos esperando para saber o que e como”, alega Novaes.

Maior hidrelétrica de Mato Grosso, Dardanelos vai integrar ao Sistema Nacional de 36 cidades atendidas por termelétricas na região. A usina é uma das duas que tiveram a construção autorizada no último leilão de energia promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A conclusão das obras da Usina de Dardanelos está prevista para até o fim deste ano.

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